O empresário britânico Nick Rappolt, de 50 anos, desembarcou em São Paulo em novembro de 2023 para avaliar a startup Footbao, que usa inteligência artificial para conectar jovens jogadores a clubes de futebol. Dois anos e meio depois, ele se tornou CEO da empresa e lidera uma reconstrução radical do aplicativo, que já resultou na contratação de oito atletas.

Rappolt, que ajudou a lançar o Facebook no Reino Unido e trabalhou com Apple, Google e YouTube, encontrou um aplicativo com falhas técnicas e um mercado dominado por gigantes como TikTok e Instagram. Apesar dos desafios, ele se encantou com a proposta de "popularizar o talento". "O que me encantou foi a ideia de poder popularizar o talento", disse.

Com investimento de Boris Collardi, ex-CEO do banco Julius Baer, a Footbao passou por uma reformulação. O app permite que jogadores criem perfis e postem vídeos de suas jogadas, que são analisados por IA para avaliar atributos como rapidez, reflexo e técnica. Clubes também publicam demandas específicas, como "buscando lateral esquerdo sub-17", e os atletas se candidatam.

Até o momento, oito jogadores foram contratados via plataforma, incluindo o meio-campista Léo Veiga, que foi para o Spezia Calcio (Itália), e a zagueira Glória Gasparini, de 18 anos, que entrou no Corinthians. O time italiano U.S. Lecce também selecionou atletas para uma experiência na Europa.

O aplicativo já ultrapassou 500 mil downloads, com mais de 120 mil atletas registrados e 40 clubes parceiros, entre eles o Santos. Há parcerias também no Uruguai, Colômbia, Argentina e Itália. "A tecnologia vai mudar o futebol como mudou os bancos", acredita Rappolt.

O CEO destaca que muitos jogadores talentosos se frustram com as peneiras tradicionais e desistem do esporte. "Tem muito jogador bom que se frustra nos processos de peneiras e acaba desistindo do esporte. E há times no mundo inteiro procurando essas pessoas", afirmou. "Nem todo mundo vai ser craque da seleção, mas times de segunda ou terceira divisão podem ser uma ótima opção."

Rappolt vê o Brasil como o principal laboratório para a tecnologia. "Este país é o maior celeiro de talentos do esporte no mundo. Se a gente conseguir se firmar aqui, podemos replicar o modelo em qualquer lugar, em qualquer esporte", concluiu.

Com informações de Folha — Esporte.