A SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, prepara-se para realizar na quinta-feira (11 de junho de 2026) o que pode se tornar a maior oferta pública inicial (IPO) de ações da história. A companhia, que atua em operações aeroespaciais, satélites e inteligência artificial, estreará na bolsa de valores com metas ambiciosas para os próximos anos.
De acordo com documento enviado à Securities and Exchange Commission (SEC), a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, a SpaceX pretende ofertar 555,6 milhões de ações a US$ 135 cada. Se todas as ações forem vendidas, a empresa atingirá valor de mercado de US$ 1,77 trilhão, tornando-se a sétima mais valiosa dos Estados Unidos, superando a Tesla, também de Musk, avaliada em US$ 1,6 trilhão.
A projeção da SpaceX é levantar US$ 75 bilhões com o IPO, o que superaria o recorde anterior da petroleira Saudi Aramco, que levantou US$ 29,4 bilhões em 2019. O movimento também pode abrir caminho para estreias de outras gigantes de tecnologia, como OpenAI e Anthropic.
Cronograma e detalhes da oferta
A SpaceX iniciou na quinta-feira (4 de junho) o roadshow, série de apresentações itinerantes para potenciais investidores institucionais. A precificação final das ações deve ocorrer na próxima quinta-feira (11 de junho), após o fechamento do mercado. A estreia oficial na bolsa está prevista para o dia seguinte, 12 de junho. As ações serão negociadas na Nasdaq e na Nasdaq Texas, sob o código “SPCX”.
A decisão de antecipar o preço fixo da ação ao mercado é incomum em IPOs nos Estados Unidos, onde as empresas costumam anunciar uma faixa de preço antes de comercializar as ações.
Controle da SpaceX
Elon Musk deve manter controle quase integral da empresa. O bilionário terá 82% do poder de voto por meio de ações Classe B, que dão 10 votos cada no Conselho de Administração. Musk controlará 93,6% desses papéis, restritos a um pequeno grupo de acionistas. Os acionistas de Classe B têm direito de eleger a maioria dos diretores (51%). As ações Classe A, ofertadas ao mercado, dão direito a 1 voto cada.
O IPO é coordenado por um grupo de 21 bancos liderado pelo Goldman Sachs, incluindo Morgan Stanley, Bank of America, Citigroup, o brasileiro BTG Pactual e bancos europeus como Barclays, Deutsche Bank, RBC e UBS. Os bancos poderão realizar um over-allotment de 15%, vendendo ações extras para atender à demanda e estabilizar o preço. As comissões podem atingir US$ 500 milhões.
Investidores de varejo
Elon Musk defende a participação de investidores individuais na distribuição das ações. Segundo veículos de imprensa dos EUA, o bilionário avalia destinar até 30% da oferta para investidores de varejo, principalmente em países europeus. A prática é incomum para IPOs desse porte, que costumam destinar cerca de 5% a 10% para esse tipo de investidor. O objetivo é ampliar o acesso à empresa por pessoas físicas e, segundo a empresa, a base de fãs de Musk pode ajudar a estabilizar as ações.
Metas ambiciosas
No documento enviado à SEC, a SpaceX detalha planos para os próximos anos. A companhia, que se fundiu em fevereiro com a xAI (também de Musk), atua em três frentes: operações aeroespaciais, internet e satélites, e inteligência artificial. A empresa apresenta o que chama de “o maior mercado total endereçável acionável na história da humanidade”, estimado em US$ 28,5 trilhões.
As principais metas incluem:
- Operação aeroespacial: utilizar o foguete Starship para transportar pessoas e cargas ao espaço, estabelecer presença humana e comercial sustentada na Lua, com fábricas para produzir satélites de computação de IA, e, a longo prazo, estabelecer uma colônia humana permanente em Marte com pelo menos 1 milhão de habitantes.
- Satélites e internet: expansão da Starlink, rede de internet via satélite, com lançamento de satélites de nova geração capazes de transferência de dados de 1 Tbps (terabits por segundo), com o objetivo de eliminar “zonas mortas” de celular em todo o mundo.
- Inteligência artificial: treinamento do Grok até que a IA alcance trilhões de parâmetros; em colaboração com Tesla e Intel, projetar e fabricar seus próprios chips de IA para otimizar performance e evitar escassez de hardware; desenvolver centros de processamento de dados em escala orbital.
Com informações de Poder360.