A agência de classificação de risco S&P Global rebaixou pela segunda vez em menos de três meses a nota de crédito do Banco de Brasília (BRB), elevando o alerta sobre a necessidade de uma capitalização bilionária. O novo rating nacional foi reduzido para 'brCCC+/brC', classificação que indica vulnerabilidade e dependência de condições favoráveis para cumprir compromissos.
Segundo a S&P, o rebaixamento reflete o aumento das incertezas sobre a capacidade do banco de absorver as perdas decorrentes do caso Banco Master. A agência afirmou que os riscos de execução do plano de capitalização se tornaram o principal desafio da instituição. Em março, o BRB já havia sido rebaixado para 'brB-/brB'.
Contexto da crise
A situação do BRB se agravou após a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025. A operação investiga a aquisição de ativos considerados fraudulentos do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, além de conduta de executivos, fragilidades de governança e potenciais conflitos de interesse. Vorcaro foi preso preventivamente em novembro de 2025 e novamente em março de 2026.
A tentativa do BRB de adquirir parte do Banco Master, anunciada em março de 2025, foi rejeitada pelo Banco Central após meses de análise.
Pacote de socorro bilionário
No fim de maio, o Governo do Distrito Federal e o governo federal firmaram um acordo para um empréstimo de até R$ 6,5 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). No entanto, a S&P considera que a operação é complexa e sujeita a condições de mercado, repasses públicos e articulações institucionais pendentes. A agência estima a necessidade de capitalização entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões.
Para a S&P, atrasos no cronograma ou insuficiência de recursos podem aumentar significativamente o risco de liquidação do banco.
Contrapartidas do Distrito Federal
Como contrapartida, o Governo do Distrito Federal assumiu compromissos de ajuste fiscal, incluindo congelamento de reajustes salariais, suspensão de concursos públicos e restrições a despesas. Em caso de inadimplência, foram oferecidos como garantia recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Ainda assim, a S&P alerta que o sucesso do plano depende da execução robusta em prazo apertado, o que motivou o segundo rebaixamento consecutivo em menos de três meses.
Com informações de Seu Dinheiro.