Weverton Murieta da Silva, 34, que trabalha descarregando caminhões em Sena Madureira, no Acre, relatou os momentos de desespero vividos durante o desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, na noite de sexta-feira (5). Um dos quatro feridos, ele recebeu alta hospitalar neste sábado (6).

Segundo o relato, ele voltava do trabalho com o colega Antônio Morais Lima Filho, 36, quando encontraram o juiz aposentado e advogado Edinaldo Muniz dos Santos, 54, e o irmão dele, Ednei Muniz dos Santos, 51, sobre a ponte. "Ele [Edinaldo] perguntou para mim onde era a falha da ponte. Eu passei na frente para mostrar para ele. Quando eu cheguei pertinho dele para mostrar, a ponte desabou", afirmou. Edinaldo fazia uma transmissão ao vivo sobre a interdição da estrutura quando ocorreu o acidente.

Weverton contou que foi arrastado para as águas do rio Iaco e tocou o fundo. "Eu desci direto para o fundo do rio. Encostei no fundo do rio. Depois consegui voltar para cima e boiar debaixo da ponte", disse. Em seguida, procurou uma saída entre os destroços: "Fiquei procurando canto, nadando debaixo da ponte. Aí consegui me segurar na ponte e fui puxando, puxando, até encontrar um buraco para subir".

Ao retornar à parte acessível da estrutura, passou a procurar o colega Antônio. "Eu fiquei correndo em cima da ponte procurando o meu amigo. Vi ele deitado nos escombros, com uns ferros nele. Vi que estava respirando e comecei a gritar: 'Socorro, socorro'", afirmou. Morais foi resgatado e transferido para Rio Branco. Segundo boletim da Secretaria de Estado de Saúde do Acre, ele sofreu fratura no fêmur, apresenta quadro estável e aguarda cirurgia.

O estado mais grave é o de Edinaldo Muniz. Ele permanece internado na UTI do Pronto-Socorro de Rio Branco após sofrer traumatismo cranioencefálico grave e passar por cirurgia para correção de fratura na pelve. Ednei Muniz segue internado em estado estável com fratura no antebraço. Weverton recebeu alta na manhã deste sábado.

O sobrevivente afirmou que não sabia que a ponte estava interditada. Morador do segundo distrito de Sena Madureira, disse que o acesso para pedestres estava aberto e que decidiu acompanhar Edinaldo por ser informado de que se tratava de um juiz. "Eu não imaginava que uma ponte daquela pudesse cair com pessoas em cima", disse.

A ponte havia sido interditada preventivamente um dia antes do acidente após a identificação de problemas estruturais. Inaugurada em dezembro de 2023 ao custo de R$ 36 milhões, a obra de 232 metros ligava o primeiro e o segundo distrito do município.

As causas do desabamento são investigadas pela Polícia Civil do Acre. Peritos especializados em engenharia realizam análises para identificar as circunstâncias do colapso e apurar eventuais falhas na execução, fiscalização, manutenção ou interdição. Três delegados foram designados para o inquérito. A polícia afirma que as causas só serão apontadas após a conclusão dos laudos periciais.

O governo do Acre informou que, até a tarde deste sábado, não havia registro de desaparecidos. Equipes do Corpo de Bombeiros permanecem no local avaliando a estrutura remanescente e monitorando riscos nas áreas atingidas.

Com informações de Folha — Cotidiano.