O cronista Nélson Rodrigues não era chegado às estatísticas que hoje embalam as transmissões esportivas brasileiras.
É um feito de narradores colonizados pelo basquete, mas principalmente pelo beisebol dos EUA, onde o nome de cada batedor aparece associado aos acertos na bola (hits) por presença em campo com o taco.
Assim, .332 é quase sobrenome do dominicano-canadense Otto Lopez, dos Miami Marlins. Ele despacha a bolinha para a defesa adversária em um terço de suas presenças no ataque (a média, obviamente, muda a cada jogo).
No futebol, no entanto, o inesperado muitas vezes se impõe. Foi o que aconteceu na goleada do Japão contra a Tunísia, que colocou a seleção japonesa em possível rota de colisão contra o Brasil na segunda fase da Copa de 2026.
Marcou sem ver
Aos 3 minutos do primeiro tempo, o número 13 Nakamura foi à linha de fundo e cruzou para a área. A bola bateu no pé do atacante Kamada e entrou.
O atacante comemorou, mas nem viu a bola ao fazer o gol.
Kamada também foi autor do gol que deu ao Japão um dramático empate contra a Holanda, no final da partida, por 2 a 2.
O jogador do Crystal Palace, de 1m80, aproveitou a falha de um dos melhores zagueiros do mundo, Virgil van Dijk, do Liverpool, que tem 1m95 e não alcançou a bola.
Sobrenatural em campo
Coincidência? Na verve de Nelson Rodrigues, nada disso. Para o cronista esportivo e romancista brasileiro, teriam sido ações do Sobrenatural de Almeida, personagem que ele criou para explicar o imponderável.
Qual é a chance de um atacante de 1m80 superar outro de 1m95? Ou de um gol em que o atacante nem vê a bola e marca?
O jogo entre Japão e Tunísia foi o milésimo da Copa. Os japoneses jogaram com grande intensidade, em busca de um placar que os garantisse na segunda fase.
Bola não apitou
Numa jogada curiosa, a tecnologia demonstrou que a bola não ultrapassou totalmente a linha do gol da Tunísia.
A Trionda, bola oficial do torneio, tem um sensor interno e “apita” se entrar.
Os japoneses seguiram atacando.
O gol de Ito nasceu de uma jogada em profundidade que teve apenas três passes.
Ueda marcou duas vezes, uma faltando pouco para terminar, quando o Japão ainda martelava a defesa tunisiana.
Não faltou entrega dos jogadores japoneses, além de acertos de passe e finalizações de grande qualidade.
A Tunísia, que já tomou 9 gols em duas partidas, está eliminada.
Japão e Suécia vão batalhar pelo segundo lugar do grupo na terceira rodada e possivelmente jogar contra o Brasil.