A Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, reúne representantes de governos, empresas e trabalhadores para discutir normas globais. Neste ano, a presença de trabalhadoras de plataformas digitais marca uma mudança no debate sobre trabalho digno na economia digital.
Carina Trindade, motorista de aplicativo em Porto Alegre e presidenta do Sindicato dos Motoristas de Transporte Individual por Aplicativo do Rio Grande do Sul (Simtrapli/RS), participa pela segunda vez do evento. Com quase uma década de experiência, ela leva à Organização Internacional do Trabalho (OIT) reivindicações baseadas em sua vivência e na organização coletiva da categoria.

Em entrevista ao Brasil de Fato RS, Carina destacou as principais demandas apresentadas na conferência: remuneração mínima por quilômetro rodado, reconhecimento de vínculo empregatício, proteção social, transparência algorítmica e responsabilidade ambiental. Ela também defendeu a criação de pontos de apoio urbanos e canais humanizados para denúncias de assédio, especialmente para mulheres.
Segundo Carina, os desafios são globais: as plataformas atuam de forma semelhante em diferentes países, reduzindo ganhos e negando direitos trabalhistas. Ela alertou que, sem o endurecimento das leis trabalhistas, a exploração tende a se expandir para novas categorias.
A sindicalista também ressaltou a importância de incluir recortes de gênero, raça e parentalidade nas regulamentações, citando encontros com trabalhadoras da América Latina. Para ela, a participação na OIT é fruto da luta por dignidade e remuneração justa.
Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.