Nego DiNego Di. Foto: Reprodução.

A Justiça condenou o influenciador Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, por estelionato, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e promoção de loteria ilegal em um caso que envolve rifas virtuais irregulares, sorteios simulados e um recibo falso de doação ao Rio Grande do Sul.

A sentença aponta que Nego Di usava rifas sem autorização legal para atrair compradores com prêmios de alto valor. Um dos casos citados envolve um Porsche Macan avaliado em R$ 500 mil e uma suposta ganhadora chamada “Silmara Noeli”, que, segundo o Ministério Público, nunca existiu.

O promotor de Justiça Flávio Duarte, da Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, afirmou que Nego Di divulgou uma doação de R$ 1 milhão para vítimas da enchente histórica de 2024 no RS, mas enviou apenas R$ 100 e adulterou o comprovante da transferência.

“Ele fez uma doação de R$ 100 e expôs nas mídias sociais essa doação como se tivesse sido feita no valor de R$ 1 milhão, obtendo com isso um engajamento, um número maior de seguidores, que refletiu depois em ganhos patrimoniais”, disse.

O juiz também condenou Gabriela Vicente de Sousa, esposa do influenciador, por lavagem de dinheiro. Nego Di recebeu pena de 14 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado, além de uma pena adicional de 1 ano e 15 dias por promover loteria ilegal. Gabriela recebeu pena de 8 anos e 4 meses de prisão, também em regime fechado.

Nego Di ao lado de Porsche. Foto: Reprodução

Rifas virtuais e movimentação de dinheiro

De acordo com Flávio Duarte, o influenciador usou o telefone de uma pessoa que trabalhava com ele para simular a conversa com a falsa vencedora do Porsche. “Ele tinha pleno controle das rifas que fazia e essas rifas não tinham data específica para o sorteio. Então, ele poderia perfeitamente ver um determinado sorteio cujo número não foi contemplado por ninguém, poderia adquirir os números ele mesmo até ele mesmo adquirir o número vencedor”, afirmou o promotor.

A denúncia aponta pelo menos 34 sorteios entre novembro de 2022 e maio de 2024, divulgados nas redes sociais e vinculados à venda de bilhetes. O juiz afirmou que a prática não ocorreu de forma isolada e citou uma atividade estruturada, com grande alcance, movimentação superior a R$ 2,5 milhões e prejuízo total de R$ 185,3 mil a ao menos 9.683 pessoas.

Segundo a decisão, Nego Di e Gabriela usaram contas bancárias em nome dela, de uma empresa do casal e de terceiros para movimentar valores obtidos com as rifas. O magistrado afirmou que o casal misturava o dinheiro a recursos de origem lícita para dificultar o rastreamento e também adquiriu bens com aparência de legalidade.

No caso do comprovante de doação, a Justiça considerou que houve adulteração consciente do valor antes da divulgação nas redes sociais. À época, o humorista disse: “A gente fez essa escolha de coração. Decidi doar um milhão de reais pro Rio Grande do Sul. Eu mandei R$ 1 milhão para a vaquinha do meu parceiro Badin”.

A defesa de Nego Di, representada pela advogada Camila Kersch, não se manifestou até o momento. O influenciador também responde a outro processo que envolve a loja virtual “Tá Di Zueira”.