A indústria de shopping centers quer deixar de ser vista apenas como termômetro do varejo. Um estudo inédito da FGV, encomendado pela Abrasce, coloca números nessa tentativa de reposicionamento: os empreendimentos movimentam R$ 862 bilhões em valor bruto da produção e têm impacto estimado de R$ 441 bilhões no PIB brasileiro — algo próximo de 4% da economia nacional.
O levantamento chega no momento em que o setor completa 50 anos e busca reforçar sua relevância em meio à mudança dos hábitos de consumo, ao avanço do comércio digital e à pressão por novos usos dos espaços físicos. A tese central é simples: o shopping deixou de ser só lugar de compra e virou uma plataforma de serviços, lazer, alimentação, conveniência e desenvolvimento urbano.
Segundo a FGV, os 658 shoppings em operação no país, espalhados por 253 municípios, ajudam a sustentar 6,4 milhões de empregos quando considerados os efeitos diretos, indiretos e induzidos. Para cada vaga direta, outras cinco são geradas na economia: duas na cadeia de fornecedores e três pelo consumo dos trabalhadores.
A conta fiscal também chama atenção. O estudo estima R$ 143 bilhões em arrecadação tributária, com destaque para R$ 30,3 bilhões em ICMS e R$ 27,3 bilhões em Imposto de Renda. Há ainda impactos municipais relevantes, como ISS, IPTU e ITBI.
Mas o dado mais bem sacado do levantamento está fora das lojas. A FGV calcula que imóveis em áreas localizadas a até dois quilômetros de um shopping têm valorização média de 26% em até dois anos após o início da operação. É o tipo de número que ajuda a explicar por que prefeitos, incorporadoras e fundos imobiliários seguem tratando shopping center como âncora de desenvolvimento urbano, mesmo em tempos de carrinho de compra digital.
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