O tradicional Shopping Center Lapa, instalado ao lado do terminal de ônibus e da estação da CPTM em um dos principais nós de mobilidade de São Paulo, acaba de se tornar a pedra fundamental de um novo fundo imobiliário voltado a ativos de renda urbana.

O empreendimento foi usado como ativo inaugural do BRC Renda Urbana FII, fundo gerido pela BR Capital. A operação foi estruturada pela matchpoint Real Estate, boutique especializada em soluções imobiliárias para famílias e investidores institucionais.

Nos bastidores, a leitura foi que o desafio não estava na geração de caixa do shopping, que soma mais de 8,2 mil m² de ABL em uma região de fluxo intenso, mas na estrutura societária familiar e fechada. Ao transformar a participação no empreendimento em cotas de um FII, as famílias majoritárias conseguiram abrir uma avenida de liquidez sem necessariamente partir para a venda tradicional do imóvel.

A engenharia foi conduzida pela matchpoint, liderada pela CEO Julia Botelho e pelo diretor de novos negócios Everton Carajeleascow. A boutique também foi mantida como consultora imobiliária do fundo.

O movimento, no entanto, não deve parar na Lapa. O BRC Renda Urbana já avalia um pacote de 15 novos ativos, estimado em R$ 207,2 milhões, atualmente em fase final de due diligence. A carteira inclui 11 agências da Caixa Econômica Federal, duas lojas do Extra, uma unidade locada para Dasa/Americanas e um centro comercial em São Luís (MA).

Se concluída, a aquisição levará o fundo a um novo patamar, com presença multiestado e mais 29 mil m² de ABL, ancorados por contratos de longo prazo com inquilinos de grande porte. Na prática, a velha Lapa virou o trampolim para uma carteira nacional de varejo urbano.

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