O diretor-geral da Iata (Associação Internacional do Transporte Aéreo), Willie Walsh, afirmou neste domingo (7) que o setor aéreo global está "fora da trajetória correta" para zerar as emissões líquidas de gás carbônico até 2050. Segundo Walsh, alcançar o objetivo ainda é possível, mas todos os segmentos da indústria — não apenas as companhias aéreas — terão de agir, em vez de apenas declarar compromisso.
A declaração foi feita durante o Iata AGM (Annual General Meeting), realizado no Rio de Janeiro neste fim de semana. O evento voltou à América do Sul após 27 anos.
Em 2021, durante sua 77ª Assembleia Geral Anual em Boston (EUA), a Iata aprovou uma resolução na qual as companhias aéreas membros se comprometeram a zerar as emissões de carbono em suas operações até 2050, alinhada à meta de temperatura do Acordo de Paris. No entanto, a entidade ressalta que o cumprimento da meta exige esforços coordenados de toda a indústria — companhias aéreas, aeroportos, prestadores de serviços de navegação aérea e fabricantes — além de apoio governamental.
Walsh apontou dois principais entraves: o atraso na entrega de novas aeronaves, que poluem menos que os modelos antigos, e a baixa disponibilização de SAF (combustível sustentável de aviação). "Estamos muito decepcionados, especialmente com os OEMs [fabricantes de aeronaves], que vêm atrasando a entrega de novos aviões, porque isso significa que nossas emissões brutas são maiores do que deveriam ser", disse. Ele também criticou a falta de reforma nos sistemas de gerenciamento de tráfego aéreo e o não cumprimento de promessas por parte das empresas de combustível.
Durante a abertura do evento, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o Brasil está em posição privilegiada para liderar o desenvolvimento e a produção de combustível sustentável de aviação. "O Brasil tem uma vantagem comparativa única neste debate. Somos um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo", declarou. "O Brasil pode ser, para descarbonização na aviação, o que nenhum outro país do mundo pode ser. Uma potência verde com capacidade industrial para transformar recurso natural em solução global."
Com informações de Folha — Mercado.