Uma escritora, roteirista e idealizadora do movimento Um Grande Dia para as Escritoras narra uma experiência peculiar: durante sete dias consecutivos, ouviu a música 'Let It Be', dos Beatles, sempre no mesmo horário, vinda do apartamento de cima. A cada dia, a canção adquiriu um significado diferente, acompanhando suas emoções e acontecimentos pessoais.
No primeiro dia, ao ouvir a melodia, a autora imaginou que o vizinho fosse fã dos Beatles e cogitou cantar junto. No entanto, descobriu pelo grupo da família que era a Alexa de sua filha, programada para tocar a música todos os dias às 20h como lembrete para tomar um remédio. A filha agradeceu pelo aviso.
No segundo dia, a música deixou de ser um código entre desconhecidos e passou a representar o esforço da mãe em apresentar seus discos favoritos à filha durante a infância.
No terceiro dia, a autora estava emocionada após uma briga com o companheiro. 'Let It Be' soou triste, e ela refletiu sobre como consertar a situação, sentindo que Paul McCartney compusera a música para ela, sugerindo que deixasse o celular de lado.
No quarto dia, após fazer as pazes e receber boas notícias da editora sobre vendas de livros, a música pareceu otimista e dançante, levando-a a dar uma pirueta e finalizar com um air piano.
No quinto dia, concentrada em preparar um ovo poché, a autora mal percebeu a música, que terminou sem que ela a ouvisse direito.
No sexto dia, ao se preparar para um clube do livro em inglês, a letra da música foi analisada como sujeito, verbo e predicado, como uma aula de inglês com o 'teacher McCartney'.
No sétimo e último dia, a filha lembrou que o tratamento havia dado certo e que aquela era a última pílula. Mãe e filha cantaram juntas, e a balada soou como uma música gospel, levando a autora a refletir sobre os mistérios da vida e a natureza inconstante do ser humano.
Com informações de Folha — Cotidiano.