A escritora e roteirista de cinema e televisão, autora de "Depois a Louca Sou Eu" e "A Boba da Corte", publicou uma coluna na Folha em que reflete sobre seu afastamento da paixão pelo futebol e pela Copa do Mundo. Ela afirma não saber as datas dos jogos do Brasil na atual edição do torneio e desconhecer a escalação da seleção, exceto pelo "famoso jogador bolsonarista e sonegador de impostos".

A colunista relembra com nostalgia as Copas de sua infância e juventude, quando assistia aos jogos "ajoelhada no meio da sala" e se envolvia emocionalmente. Ela cita memórias afetivas, como os avós se beijando durante os jogos e amigos enfeitados com bandeiras. Indaga sobre as razões de seu desinteresse atual: escândalos da CBF, a derrota de 7 a 1 para a Alemanha, campanhas publicitárias milionárias de Neymar e o uso das cores da bandeira por manifestantes golpistas na avenida Paulista.

No entanto, a escritora relata que assistiu à série "Brasil 70: A Saga do Tri", disponível na Netflix, e ficou impressionada. Ela destaca a direção de Paulo e Pedro Morelli e as atuações de Rodrigo Santoro (como João Saldanha) e Bruno Mazzeo (como Zagallo), além do estreante Lucas Agrícola, que interpreta Pelé. A reprodução dos gols e a emoção nostálgica a fizeram torcer por lances históricos, mesmo sabendo o resultado.

A colunista reconhece que críticos e pesquisadores apontaram problemas na dramaturgia, como fatos distorcidos e falta de profundidade ao retratar a ditadura, mas opta por elogiar o trabalho do audiovisual brasileiro. Ela conclui que a série lhe deu a certeza de "mais um golaço brasileiro".

Com informações de Folha — Cotidiano.