Jornalistas, líderes comunitários, pesquisadores e ativistas se reuniram na manhã desta segunda-feira (1º) no Seminário Jornalismo e Clima, promovido pelo ((o))eco na ESPM Rio, para debater os impactos das mudanças climáticas nos territórios e as iniciativas locais de enfrentamento. O evento integrou a programação da Rio Nature and Climate Week.
Debate sobre comunicação e dados em comunidades vulneráveis
A abertura contou com uma mesa composta por Luiz Ribeiro, do Instituto BXD; Luize Sampaio, da Casa Fluminense; e Maria Ribeiro, do Data Labe, com mediação de Bruno Araújo. Os participantes apresentaram estratégias de mobilização para coleta e divulgação de informação em comunidades afetadas por degradação ambiental, desigualdade e precarização.

Luiz Ribeiro apresentou a pesquisa Retrato das Enchentes, que analisa o perfil dos moradores da Baixada Fluminense e os impactos das inundações. Segundo ele, os dados revelam deficiência na comunicação de riscos: “As pessoas não estão sendo informadas, 38% relataram receber avisos, e só 1% declarou sentir-se muito bem informadas”.
Maria Ribeiro destacou a subnotificação em dados governamentais sobre populações vulnerabilizadas. “Todos que fazem pesquisa sobre alguma população vulnerabilizada percebem que há uma subnotificação e uma sub-representação nos dados”, afirmou.

Luize Sampaio defendeu uma visão ampliada do jornalismo: “Acredito que temos ideias muito quadradas sobre o que é ser jornalista. O jornalismo é muito mais amplo do que escrever no jornal e estar na TV”. Ela ressaltou a importância da escuta e da produção de conhecimento a partir do contato direto com as comunidades.
Luiz Ribeiro comentou sobre a satisfação de trabalhar em seu próprio território: “Hoje, depois de 15 anos trabalhando com comunicação de design, eu tenho a alegria de poder trabalhar no meu território”.

Entrevista com jornalista ambiental
No segundo momento, a jornalista ambiental Duda Menegassi, que escreve para ((o))eco desde 2012, foi entrevistada por Kamila Camilo, do Instituto Oyá. Menegassi falou sobre seu encantamento com a fauna e flora brasileiras e como esse olhar contribui para a produção de conteúdos que engajam o público. Para ela, pautas ambientais podem ser ferramentas de preservação quando combinam conhecimento científico e sensibilização.
Casos reais de comunicação climática
O encerramento da manhã trouxe exemplos práticos. Daniela Mendes e Julia Mendes apresentaram o projeto Fervo Urbano, série de reportagens e conteúdos audiovisuais sobre os impactos da crise climática nas cidades brasileiras, abordando ilhas de calor, gestão de água, áreas verdes, justiça ambiental e adaptação climática.
Thayane Guimarães, da Infoamazônia, falou sobre a cobertura colaborativa da COP 30 a partir da Casa do Jornalismo Sustentável. A iniciativa reuniu 21 veículos e 45 repórteres e editores de mais de 13 estados brasileiros. O feed colaborativo alcançou 173.083 acessos e gerou cerca de 194 reportagens, muitas republicadas e traduzidas. “A Casa reforçou que o futuro do jornalismo independente é a colaboração e não a competição”, afirmou Thayane.
O seminário está disponível na íntegra pelo YouTube.
Com informações de ((o)) eco.