O presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu o principal nome que articulara para ser seu palanque em Minas Gerais nas eleições de 2026. Em junho de 2025, Lula se referiu ao ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco como “futuro governador” durante evento em Mariana. Um ano depois, Pacheco anunciou que não concorrerá a nenhum cargo e deixará a política. A decisão ampliou a incerteza sobre quem representará o petista no segundo maior colégio eleitoral do país, que concentra 11% do eleitorado nacional.
Cenário de indefinição
A pouco mais de um mês do início das convenções partidárias, oito candidatos disputam a vaga. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, tem conduzido reuniões com integrantes do partido e de outras legendas e encomendou pesquisas para avaliar a viabilidade de nomes como o do deputado federal Reginaldo Lopes (PT), da ex-reitora da UFMG Sandra Goulart (PT), do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB).

O PSB, partido de Pacheco, decidiu em reunião na semana passada lançar candidatura própria, mas fará uma prévia com quatro postulantes: o empresário Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar; o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares Júnior; o ex-prefeito de Moema Julvan Lacerda; e o ex-senador Clésio Andrade. A aliança com o PT e com Lula segue como possibilidade.
Campo lulista em busca de consenso
A maioria dos postulantes tem baixo reconhecimento do eleitor. A exceção é Kalil, que registra entre 14% e 18% nas pesquisas Real Time Big Data de maio, longe dos quase 40% do favorito Cleitinho Azevedo (PL). Kalil, que disputou o governo em 2022 com apoio de Lula, se distanciou do presidente após ser derrotado no primeiro turno por Romeu Zema. Reluta em aceitar novamente dividir o palanque com o petista. Os nomes mais fortes do PT, por sua vez, demonstram pouca disposição para entrar na corrida, apesar de a militância ter aprovado resolução defendendo candidatura própria. A ex-prefeita de Contagem Marília Campos, favorita para o Senado, defende aliança em torno de Gabriel Azevedo, movimento que aliviaria a pressão para que ela mesma dispute o Palácio Tiradentes. Azevedo, porém, aparece com 6% a 8% das intenções de voto. Reginaldo Lopes afirma não estar focado no governo neste momento.

Divisões também na oposição
A confusão não se restringe ao campo lulista. O vice-governador Mateus Simões filiou-se ao PSD, partido do presidenciável Ronaldo Caiado, mas segue alinhado a Romeu Zema (Novo), de quem foi vice. Flávio Bolsonaro, que esteve em Minas recentemente, descartou aliança com Simões. A prioridade do PL é consolidar apoio a Cleitinho, que lidera as pesquisas, mas evita confirmar ou descartar candidatura. A incerteza aumentou após ele afirmar publicamente não confiar plenamente no presidente de seu partido, Marcos Pereira, que respondeu dizendo que a sigla apoiará seu projeto, mas que o senador parece não saber o que quer. Desde então, não voltaram a conversar. Caso Cleitinho não concorra, o plano B é lançar o empresário Flávio Roscoe.
Importância estratégica e histórico
Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, com 11% do eleitorado nacional. Há 76 anos, o candidato à Presidência que vence no estado também vence a disputa nacional. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro em Minas por margem estreita: 50,2% a 49,8%. Enquanto o cenário não se define, Lula evita ir ao estado, que foi um dos que mais visitou em 2025. A expectativa é de que o impasse persista até as convenções.
