A menos de um ano e meio da Copa do Mundo Feminina de 2027, a Seleção Brasileira vem demonstrando que a ambição pelo título deixou de ser apenas discurso. No último sábado (6), o Brasil conquistou sua segunda vitória consecutiva sobre os Estados Unidos, atuais vice-líderes do ranking mundial, em partida realizada na Arena Corinthians, em São Paulo.
O primeiro triunfo sobre as norte-americanas havia ocorrido em abril de 2025, também em solo brasileiro, e já fora considerado histórico. Desta vez, o roteiro da partida evidenciou a evolução da equipe: o Brasil saiu atrás no placar nos minutos iniciais, mas reagiu rapidamente, empatou e virou em sequência, demonstrando personalidade e confiança.
Essa postura reflete uma seleção que, apesar de dominar o cenário sul-americano e contar com atletas de destaque nas principais ligas do mundo, ainda busca sua primeira grande consagração em torneios como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Nomes como Amanda Gutierres e Tarciane simbolizam a força da nova geração, valorizadas internacionalmente e que elevam o nível técnico do time comandado por Arthur Elias.
Vale destacar que Marta, principal referência da história do futebol feminino brasileiro, não atuou por estar em recuperação de lesão. Mesmo assim, a Seleção mostrou possuir alternativas e capacidade de competir em alto nível sem sua maior estrela.
Torcida e público
Outro aspecto relevante é a relação entre a equipe e a torcida. Sempre que joga no Brasil, a Seleção Feminina demonstra força dentro e fora de campo. Em São Paulo, o apoio das arquibancadas foi novamente decisivo. Apesar de a partida ocorrer em uma emenda de feriado nacional, às vésperas do início da Copa do Mundo masculina e com a Seleção Masculina atuando no mesmo horário, 31.336 torcedores compareceram à Arena Corinthians. O número indica que o interesse pelo futebol feminino segue crescendo e que a equipe poderá contar com um importante aliado quando a Copa de 2027 chegar.
Pontos de atenção
Nem tudo foi perfeito. Se o primeiro tempo foi marcado por intensidade e coragem, a etapa final trouxe uma postura mais conservadora. O Brasil recuou excessivamente e passou a apostar quase exclusivamente na defesa da vantagem construída. Contra os Estados Unidos, a estratégia funcionou. Em uma Copa do Mundo, porém, confiar apenas na resistência defensiva pode ser perigoso: um lance isolado, um contra-ataque ou um erro individual podem comprometer meses de trabalho. Para uma seleção que busca sua primeira estrela, equilíbrio costuma ser a palavra-chave em torneios curtos e altamente competitivos.
Preparação para 2027
Sem competições oficiais de grande porte em 2026, os amistosos ganham ainda mais importância no processo de preparação. Cada teste serve para corrigir falhas, consolidar ideias e fortalecer um grupo que parece cada vez mais maduro. O próximo compromisso contra os Estados Unidos já ocorre no dia 9 de junho, em Fortaleza. Mais do que o resultado, será outra oportunidade para observar a evolução da equipe em relação ao ciclo anterior. Se continuar seguindo esse caminho, a Seleção Brasileira chegará à Copa de 2027 mais preparada do que nunca para lutar pelo título — e poucas histórias seriam tão marcantes quanto conquistar a primeira estrela diante da própria torcida.
Com informações de Jovem Pan.