A seleção feminina dos Estados Unidos, tetracampeã mundial e pentacampeã olímpica, reconhece a grandeza da brasileira Marta Vieira da Silva, considerada a maior jogadora da história. Em entrevista coletiva no centro de treinamento do São Paulo, onde a equipe se prepara para dois amistosos contra o Brasil, as atletas norte-americanas enalteceram a camisa 10 brasileira.

“Marta é uma lenda! Honestamente, estar em campo com ela é surreal. É a jogadora em que muitas de nós se espelharam. Enfrentá-la é um desespero”, afirmou a meia Rose Lavelle, aos risos.

A capitã Lindsay Heaps também elogiou a brasileira: “Admiro a maneira como ela encara o jogo, técnica e taticamente, mas também o quanto ela gosta de jogar. Sempre adorei ver jogadoras que têm esse encanto. Ela tem uma mentalidade vencedora e traz muita alegria aos torcedores.”

O histórico de confrontos entre as seleções é amplamente favorável aos Estados Unidos. Em 43 jogos, o Brasil venceu apenas quatro vezes. No último encontro, porém, a equipe brasileira triunfou por 2 a 1 no PayPal Park, em San Jose, Califórnia, com gols de Kerolin e Amanda Gutierres — foi a primeira vitória do Brasil em casa das rivais.

A técnica dos Estados Unidos, Emma Hayes, avaliou o time brasileiro: “O Brasil é um time de classe mundial, com um grande técnico [Arthur Elias]. Sou grande fã do trabalho dele. A equipe joga com muita responsabilidade e torna muito difícil você ter o controle do jogo. Não importa quem elas enfrentam, estão sempre em alto nível. E nunca desistem. Acho que o Brasil sempre teve um time muito bom, mas essa geração tem mais jogadoras no alto nível.”

Presentes em todas as Copas do Mundo femininas desde 1991, as norte-americanas ainda precisam se classificar para a edição de 2027, que será realizada no Brasil. Para isso, precisam ficar entre as quatro melhores seleções do Campeonato da Concacaf, que sediarão entre 27 de novembro e 5 de dezembro.

“Que experiência pode ser melhor do que estarmos aqui para enfrentar o Brasil, na casa delas e onde será a Copa do Mundo? Acho que temos que aproveitar o máximo da experiência. As viagens, os trajetos de ônibus, os treinos e tudo que o país tem a oferecer. Acredito que a atmosfera será incrível”, projetou Heaps.

Emma Hayes destacou o crescimento do futebol feminino: “O futebol feminino, hoje, é uma indústria multibilionária. Está se tornando um grande negócio. É o esporte que mais cresce no mundo. O investimento no esporte feminino é um investimento inteligente. Espero que a Copa traga ao Brasil mais investimento nos clubes, maior profissionalização. E o mais importante: que as meninas sigam jogando o máximo de tempo possível. Sei que o Mundial trará um impacto massivo ao país. E estou ansiosa para isso.”

Apesar do histórico negativo em decisões contra os Estados Unidos — com derrotas nas finais olímpicas de Atenas, Pequim e Paris —, o Brasil venceu as rivais em dois títulos disputados em casa. Em 2007, goleou por 5 a 0 no Maracanã, conquistando o ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio. Em 2014, o empate sem gols no Mané Garrincha deu o título do Torneio Internacional de Brasília à seleção canarinho. Aquele foi o último encontro entre as equipes em solo brasileiro.

O primeiro amistoso será neste sábado (6), às 18h30 (horário de Brasília), na Neo Química Arena, em São Paulo. O segundo ocorre na próxima terça-feira (9), às 21h30, na Arena Castelão, em Fortaleza.

Com informações de Agência Brasil — Esportes.