A seleção do Irã desembarcou no México neste domingo (7) para estabelecer sua base em Tijuana, às vésperas de uma Copa do Mundo marcada pela guerra com os Estados Unidos, que negaram vistos para parte da equipe técnica. O avião com o 'Team Melli' pousou no aeroporto de Tijuana por volta das 5h locais, em meio a forte esquema de segurança, com patrulhamento de soldados da Guarda Nacional mexicana. Um pequeno grupo de torcedores agitava bandeiras iranianas.

Após meses de incertezas sobre sua participação no Mundial, a seleção iraniana torna-se foco político desta edição, realizada na América do Norte, por ser a primeira vez que um país participante está em guerra com um anfitrião. O Irã disputará duas partidas em Los Angeles e uma em Seattle durante a fase de grupos, em condições incomuns.

Vistos negados e restrições de entrada

O governo americano concedeu vistos para os jogadores, mas negou para cerca de 15 membros da delegação, entre eles o presidente da Federação de Futebol do Irã (FFIRI), Mehdi Taj, que serviu na Guarda Revolucionária, considerada organização terrorista por Washington. As condições de entrada e saída dos EUA permanecem incertas, com versões divergentes de autoridades iranianas.

O embaixador iraniano no México afirmou, em coletiva no sábado (6), que a seleção terá de entrar e sair dos Estados Unidos 'no mesmo dia' das partidas. Já o porta-voz da FFIRI havia dito que os jogadores chegariam na véspera do primeiro jogo e dois dias antes dos outros. Neste domingo, Mehdi Taj declarou à TV iraniana que a seleção tem direito de entrar na véspera, protestando: 'Em que lugar do mundo uma seleção nacional só é autorizada pelo país anfitrião a entrar na véspera de suas partidas?'. Nem os EUA nem a FIFA se manifestaram.

Reações e clima em Tijuana

Torcedores em Tijuana lamentaram as restrições. Daniel Mercado, funcionário de um restaurante próximo ao hotel da delegação, disse à AFP: 'Não deveriam misturar futebol e política, são coisas muito diferentes'. O estabelecimento exibiu em suas vidraças o troféu dourado do torneio com o slogan 'Um mundo unido pela bola!'. A segurança foi reforçada no bairro, com soldados da Guarda Nacional armados em frente ao hotel e no estádio Caliente, onde o Irã treinará.

Contexto de guerra e incertezas

Os problemas com vistos são apenas parte de uma longa novela. A maior parte dos jogadores atua no campeonato local, cancelado em fevereiro após os primeiros ataques de Israel e dos Estados Unidos. Teerã manteve dúvidas sobre a participação na Copa, e o presidente americano Donald Trump enviou sinais contraditórios, afirmando que os iranianos eram bem-vindos, mas que deveriam reconsiderar por segurança. A presença foi confirmada, e o Irã mudou seu campo base de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México.

Com informações de Folha — Esporte.