A seleção de futebol do Irã chegou ao México neste domingo (7) para estabelecer seu campo base em Tijuana, às vésperas de uma Copa do Mundo marcada pela guerra com os Estados Unidos. O governo americano negou vistos para alguns membros da equipe técnica, complicando a participação iraniana no torneio.

O avião com a delegação, conhecida como “Team Melli”, pousou no aeroporto de Tijuana por volta das 5h (horário local), conforme constatou um fotógrafo da AFP. O técnico iraniano, Amir Ghalenoei, agradeceu ao México e à FIFA por permitirem a chegada, mas criticou o atraso. “Nestes torneios, antes das questões técnicas, devem ser respeitadas as considerações éticas e humanas, o que no nosso caso não ocorreu”, afirmou.

Após meses de incertezas, o Irã será o foco político desta edição do Mundial, realizada na América do Norte, por ser a primeira vez que um país participante está em guerra com um país anfitrião. O avião aterrissou em um aeroporto fortemente vigiado, patrulhado por soldados da Guarda Nacional mexicana. Um pequeno grupo de torcedores agitava bandeiras do Irã.

Em Tijuana, na fronteira com os Estados Unidos, a segurança foi reforçada. Agentes da Guarda Nacional armados vigiam o estádio de treinos e o hotel da delegação.

Queixas sobre vistos

O capitão Ehsan Hajsafi questionou a FIFA pelo atraso na obtenção dos vistos americanos: “Por que tão tarde?”. Ele ressaltou o contexto difícil, pois “no último ano, vivemos duas guerras impostas no nosso país”, mas afirmou que a equipe está “100%” confiante em avançar na fase de grupos. O jogador Alireza Jahanbakhsh disse que a situação é “positiva” após uma boa concentração.

A seleção iraniana deve disputar dois jogos em Los Angeles e um em Seattle durante a fase de grupos. O governo americano concedeu vistos para os jogadores, mas não para todos os membros da equipe técnica. Cerca de quinze integrantes da delegação receberam negativa, entre eles o presidente da Federação de Futebol do Irã (FFIRI), Mehdi Taj, que serviu na Guarda Revolucionária, considerada organização terrorista por Washington.

O embaixador iraniano no México afirmou no sábado (6) que a seleção só poderá entrar e sair dos Estados Unidos “no mesmo dia” das partidas. Já o porta-voz da FFIRI havia dito que os jogadores chegariam na véspera do primeiro jogo e dois dias antes dos outros. Neste domingo, Mehdi Taj declarou à TV iraniana que a seleção tem direito de entrar nos EUA na véspera das partidas. Nem os EUA nem a FIFA se manifestaram sobre o assunto.

Restrições e contexto de guerra

Em Tijuana, torcedores lamentaram as restrições. “Não deveriam misturar futebol e política, são coisas muito diferentes”, disse Daniel Mercado, funcionário de um restaurante próximo ao hotel da delegação. Para o Irã, os problemas com vistos são apenas parte de uma longa novela. A maior parte dos jogadores atua no campeonato local, cancelado no fim de fevereiro após os primeiros ataques de Israel e dos Estados Unidos.

Por causa da guerra, iniciada em 28 de fevereiro, Teerã manteve dúvidas sobre a participação na Copa. O presidente americano, Donald Trump, enviou sinais contraditórios, afirmando que os iranianos eram bem-vindos, mas que deveriam reconsiderar por motivos de segurança. A presença foi confirmada, mas o Irã mudou seu campo base de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México.

A estreia iraniana será contra a Nova Zelândia na segunda-feira, 15 de junho, em Los Angeles, pelo Grupo G.

Com informações de Jovem Pan.