A seleção de futebol do Irã desembarcou neste domingo (7) em Tijuana, no México, para disputar a Copa do Mundo de 2026. A participação da equipe no torneio foi impactada por dificuldades na obtenção de vistos junto aos Estados Unidos, um dos três países-sede, ao lado do Canadá e do México. O governo americano não emitiu vistos para toda a delegação oficial.

O técnico da seleção iraniana, Amir Ghalenoei, criticou a forma como os Estados Unidos lidaram com a questão. Em entrevista à Fifa TV após o desembarque, ele agradeceu os esforços da Federação Internacional de Futebol (Fifa) para garantir a participação da equipe. “Não é assim que se trata uma equipe que passou 21 horas no ar e que tem uma competição marcada para daqui a apenas oito dias”, declarou, segundo a agência de notícias iraniana Isna.

Ghalenoei destacou que, do ponto de vista técnico, a equipe deveria ter chegado uma semana antes, considerando a diferença de fuso horário de 12 horas entre os países. “Nesses torneios, os padrões éticos e humanitários devem ser respeitados juntamente com as questões técnicas. Esses princípios foram negligenciados em nosso caso, embora a grande nação do Irã tenha se acostumado a esse tipo de tratamento nas últimas décadas.”

O treinador acrescentou que, embora jogadores e comissão técnica tenham recebido os vistos, a equipe administrativa, o diretor executivo e a equipe de imprensa tiveram a entrada negada. “Eu pergunto a vocês, que tipo de comportamento é esse? Espero que isso seja corrigido e que tais ações nunca mais se repitam.”

Entre os que não receberam vistos americanos estavam o secretário-geral da Federação de Futebol Iraniana (IFI), Hedayat Mombini, o diretor executivo da seleção nacional, Mehdi Kharati, e o diretor de comunicação, Mohsen Motamedkia. Também foram excluídos das aprovações emitidas pelo Departamento de Estado dos EUA os delegados do Ministério das Relações Exteriores do Irã que integravam a equipe de logística institucional.

O capitão da equipe, Ehsan Hajsafi, também expressou queixas à Fifa TV sobre as complicações com os vistos após o voo para Tijuana. “Estou feliz que nossa equipe finalmente chegou a esta cidade. Felizmente, as condições da equipe são muito boas e, finalmente, nos concederam os vistos depois de tudo o que nos fizeram passar. No entanto, embora estejamos gratos por estarmos aqui, devemos reclamar com a Fifa sobre o motivo pelo qual esses vistos foram emitidos com tanta demora.”

A equipe iraniana teve que reestruturar seus cronogramas de viagem devido a atrasos administrativos impostos por Washington. Após diversos pedidos da federação iraniana, a Fifa autorizou a transferência do centro de treinamento da seleção para Tijuana, no México. O plano original previa o treinamento em Tucson, Arizona, mas o aumento das tensões políticas e o conflito diplomático direto forçaram a mudança de local para preservar a segurança dos atletas.

O Irã está no Grupo G da Copa do Mundo e enfrentará as seleções da Nova Zelândia, Bélgica e Egito. As duas primeiras partidas da fase de grupos serão disputadas em Los Angeles, nos dias 15 e 21 de junho, e o jogo final da primeira fase será em Seattle, no dia 27.

Para o técnico Amir Ghalenoei, o novo modelo de competição, com mais seleções, torna a disputa mais complexa. “Em um torneio com 48 equipes, mesmo avançando da fase de grupos, você enfrenta uma fase eliminatória adicional só para chegar às oitavas de final. Alguns comentaristas afirmam erroneamente que o formato com 48 equipes facilita as coisas, mas, sem estudar os aspectos técnicos, não percebem que a fase eliminatória subsequente torna o caminho muito mais difícil”, avaliou à Fifa TV.

Com informações de Brasil de Fato.