Tecnologia tem sido o conjunto de engrenagens que impulsiona precisão e escalabilidade do Tesouro
Ao longo de quase dois séculos, a gestão fiscal e financeira do Estado do Ceará passou por uma profunda metamorfose, evoluindo de processos estritamente manuais e analógicos para um ecossistema digital altamente integrado e inteligente. Além de otimizar a arrecadação, essa revolução tecnológica transformou e transforma o planejamento, a execução e a prestação de contas do Tesouro Estadual à sociedade.
Entre teclas e mainframes: os primeiros saltos tecnológicos
A tecnologia dava um grande salto na Secretaria da Fazenda do Ceará (Sefaz-CE) nos anos 1970. Com a introdução da mecanografia, as máquinas de escrever entravam no cotidiano fazendário e começavam a aposentar os processos manuais de contabilidade e elaboração de balanços.
O segundo Plano de Metas de Governo (Plameg II – 1979 a 1983) foi o pontapé para mais saltos: sistemas de contabilidade por processamento eletrônico, de “Conta Única” e Integrado de Contabilidade (SIC). Na mesma época, nos anos 1980, chegavam à Sefaz os mainframes e terminais.
Foi no período de uso do SIC, primeiro sistema descentralizado de processamento de dados eletrônicos do Estado, que o gerente de projetos lotado na Célula de Estudos e Normas Contábeis (Cenoc), Wilson Gomes, ingressou na Sefaz. Conforme o colaborador, esse sistema utilizava uma plataforma que viria a ser substituída devido à falta de continuidade pelo fabricante. “Diante desse cenário, foi necessário desenvolver um novo sistema utilizando tecnologias mais modernas e modificando completamente a experiência dos usuários com uso da internet”.
Integração e inteligência de dados
Já nos anos 2000, para a gestão interna dos recursos do Tesouro, o Ceará inovou ao criar o Serviço Modular de Administração de Recursos do Tesouro (Smart), uma ferramenta de consultas gerenciais que funcionava em paralelo ao SIC. O Smart agilizava o controle contábil, financeiro, orçamentário e patrimonial, facilitando a extração de dados para o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Em 2012, entrou em funcionamento o Sistema de Gestão Governamental por Resultados (S2GPR). Segundo Wilson, esse sistema propiciava experiência com uso de navegadores com cliques em botões e imagens. “Tanto o S2GPR quanto o SIC foram desenvolvidos internamente, sendo esse último sistema codificado e mantido por dois servidores, Iram Carvalho e Antônio Lima”, acrescenta.
Era do Siafe-CE e evolução do Balanço Geral do Estado
Implementado em 2022, o Sistema Integrado de Planejamento e Administração Financeira do Estado do Ceará (Siafe-CE) passou a substituir o S2GPR. Na prática, o Siafe-CE integra todo o processo orçamentário, financeiro e contábil do Estado.
Essa mudança foi fundamental para a elaboração de um importante instrumento de prestação de contas da Administração Pública: o Balanço Geral do Estado (BGE). O relatório, que apresenta a execução orçamentária, financeira, patrimonial e contábil do Governo do Ceará, foi profundamente transformado pela implantação do Siafe-CE.
Antes dependente de um processo manual de compilação de livros diários e razões, o BGE passou a ser produzido a partir de registros integrados e sistematizados. Além disso, a convergência às Normas Internacionais de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (IPSAS) elevou o nível de exigência sobre o controle patrimonial, demandando informações mais detalhadas, consistentes e transparentes.
A partir dos registros contábeis, o sistema gera automaticamente os relatórios que compõem o BGE. Além disso, o Siafe-CE posiciona a contabilidade como o controle central de todos os atos e fatos da administração orçamentária, financeira e patrimonial, garantindo a integridade dos dados do Tesouro.
Outro avanço do Siafe-CE é a autonomia que ele proporciona, pois, com um modelo flexível, permite que os contadores da Sefaz adotem novos procedimentos contábeis e desenvolvam relatórios gerenciais sem necessidade de constante intervenção da área de Tecnologia da Informação (TI).
“Por ser um sistema que em grande parte é configurável pela equipe de administração, da qual faço parte, [o Siafe-CE] nos permite evoluir os processos que tenham repercussão contábil e nos fez alcançar no ano de 2025 o reconhecimento da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) como Estado que evoluiu na qualidade da informação contábil do setor público em nível nacional”, destaca Wilson Gomes.
Assim, o Tesouro cearense consolidou-se como vanguarda no país ao unificar o planejamento e a execução em uma única plataforma adequada aos padrões federais do Sistema Único e Integrado de Execução Orçamentária, Administração Financeira e Controle (Siafic), conforme o Decreto n.º 10.540/2020. Portanto, as ferramentas digitais possibilitam a otimização do trabalho do Tesouro Estadual de servir à sociedade.
O post Sefaz 190 anos: do lápis ao Siafe-CE, a jornada digital das finanças públicas do Ceará apareceu primeiro em Governo do Estado do Ceará.