Pela primeira vez, o satélite SWOT (Surface Water and Ocean Topography) registrou imagens detalhadas em alta resolução de um tsunami de grande porte no Oceano Pacífico. O fenômeno ocorreu após um terremoto de magnitude 8,8 na região de Kamchatka, em 2025, e os dados obtidos permitiram aos cientistas analisar a dinâmica da onda em mar aberto com precisão inédita.

O mapeamento feito pelo SWOT indicou variações significativas na superfície da água, revelando aspectos físicos da propagação do tsunami. As informações foram combinadas com registros de boias do sistema DART, sensores instalados no fundo do oceano que medem a altura e o tempo de passagem das ondas.

Comparação com modelos sísmicos

Ao confrontar os dados das boias com os modelos matemáticos anteriores, os pesquisadores identificaram divergências. Uma boia registrou a perturbação antes do previsto, enquanto outra captou o impacto com atraso, indicando falhas no modelo de terremoto original. A partir daí, a equipe recalibrou as simulações e descobriu que a ruptura real da falha geológica foi maior do que as estimativas iniciais.

Os modelos iniciais apontavam que a falha tinha cerca de 186 milhas (aproximadamente 299 km) de extensão. Após a integração com os registros das boias, constatou-se que a ruptura real media aproximadamente 249 milhas (cerca de 401 km). Essa diferença é crucial para a emissão de alertas rápidos às populações costeiras.

Histórico sísmico da região

A margem de Kuril-Kamchatka tem um histórico de terremotos severos e tsunamis. Um abalo de magnitude 9,0 ocorrido em 1952 na mesma área impulsionou a criação da rede internacional de monitoramento usada atualmente. Os cientistas destacam que a segurança costeira moderna depende da integração de múltiplas fontes de dados, como registros sísmicos antigos, medições de pressão no fundo oceânico e observações por satélite.

Implicações para o futuro

A passagem do satélite SWOT sobre a região afetada demonstrou que a altimetria espacial pode desvendar a estrutura interna de ondas em oceanos abertos. No futuro, essas observações poderão aprimorar os alertas em tempo real, reduzindo o risco de catástrofes. Os pesquisadores ressaltam que trens de ondas dispersivas podem alterar os horários de chegada e a distribuição de energia, reforçando a necessidade de sistemas preventivos mais inteligentes.

O estudo foi publicado no periódico The Seismic Record, da GeoScienceWorld.

Com informações de Catraca Livre.