A rede municipal de São Paulo pode garantir que 80% das crianças estejam alfabetizadas na idade certa em 2029 caso mantenha o ritmo de crescimento registrado nos últimos três anos, segundo estudo da cátedra Sérgio Henrique Ferreira da USP. Atualmente, a capital paulista tem 53% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental, etapa que atende alunos de sete anos, conforme dados de 2025.

Comparação com metas e médias

O índice de 53% superou a meta estabelecida pelo Ministério da Educação para o município, que era de 51%, mas ficou abaixo da média nacional de 66%. Os dados são do Indicador Criança Alfabetizada, calculado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) e sistematizados pela plataforma da USP.

Projeção para 2029

O novo Plano Nacional de Educação, em vigor a partir de 2025, determina que todos os municípios devem ter ao menos 80% das crianças alfabetizadas até 2030. Se São Paulo mantiver o ritmo atual de crescimento de 7,5 pontos percentuais ao ano, alcançará a meta em 2029. A cidade passou de 37,9% em 2023 para 48,3% em 2024 e, depois, para 53% em 2025 — houve desaceleração no ritmo.

Mozart Neves Ramos, titular da cátedra, ressalta que é mais difícil manter o ritmo acelerado conforme a taxa avança: “Quem está com taxas mais baixas costuma ter resultados mais rápidos e maiores quando desenvolve uma política focalizada. São Paulo tinha um resultado baixo e subiu bastante nos últimos dois anos, mas o desafio agora será manter ou acelerar esse ritmo”.

Cenário nas maiores cidades paulistas

Entre os dez maiores municípios do estado (com mais de 500 mil habitantes), apenas três conseguiram alfabetizar pelo menos 60% dos alunos na idade certa em 2025. Essas cidades concentram 42% de todas as matrículas dessa série no estado. São Paulo tem o quinto pior resultado entre elas, à frente de Guarulhos, Osasco, Campinas e Ribeirão Preto.

Desigualdades e fatores estruturais

Mozart Neves Ramos destaca que cidades populosas como São Paulo apresentam taxas mais baixas devido às desigualdades socioeconômicas das crianças e às diferenças na estrutura das escolas. “Em diversos estados, são as cidades maiores que têm maior dificuldade em subir a proporção de crianças alfabetizadas. São Paulo tem uma diversidade enorme e muitas desigualdades que exigem estratégias diferentes”, afirma.

O especialista também enfatiza a importância da qualidade na pré-escola (etapa anterior ao ensino fundamental, para crianças de 4 e 5 anos). Segundo dados de um estudo da OCDE em três estados brasileiros, crianças mais pobres já terminam a pré-escola com rendimento significativamente inferior ao das mais ricas. “Os municípios precisam olhar para esses dados e pensar em estratégias para garantir melhores condições para que essas crianças aprendam mais e melhor no início da trajetória escolar”, diz Mozart.

Resposta da Secretaria Municipal de Educação

A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, comandada por Fernando Padula, informou em nota que o avanço é resultado de mudanças implementadas nos últimos anos, como a intensificação de estratégias pedagógicas, ampliação da formação de professores e outros profissionais, materiais complementares e apoio financeiro. A pasta adotou o boletim pedagógico com objetivos de aprendizagem por bimestre, designou professor de apoio pedagógico para o 2º ano e realiza sondagens bimestrais sobre escrita, leitura e matemática.

A secretaria afirmou que “os desafios são proporcionais ao tamanho de uma das maiores redes de ensino do país e requerem soluções inovadoras e ações persistentes, que estão repercutindo positivamente nos índices educacionais e na diminuição das distorções e defasagens”.