A tradicional Sambada de Coco do Guadalupe realiza sua 28ª edição neste sábado (6), a partir das 20h, no Centro Cultural Coco de Umbigada, no Beco da Macaíba, em Guadalupe, Olinda. Com entrada gratuita, a programação inclui música, cultura popular, homenagens e mobilização política, marcando quase três décadas de atuação do grupo liderado por Mãe Beth de Oxum e Mestre Quinho. O evento também propõe reflexões sobre racismo ambiental e os impactos das mudanças climáticas em terreiros, espaços culturais e comunidades tradicionais.

Reconhecida como uma das principais ações de valorização da cultura popular pernambucana, a Sambada do Guadalupe consolidou-se como espaço de fortalecimento da identidade negra, da cidadania cultural e da participação comunitária. A iniciativa nasceu no bairro de Guadalupe e contribuiu para transformar a dinâmica social local, influenciando o surgimento de outras sambadas e encontros culturais em diferentes regiões do estado.

A programação musical começa às 20h e conta com artistas e grupos que integram a história da sambada. Sob o comando do Coco de Umbigada, o público poderá acompanhar apresentações de DJ MK, Grupo Luz de Angolinha com Mestra Di, Afoxé Babá Orixalá Funfun, Marcela Souza, Mestra Ana Lúcia, Grupo Flor de Catemba e Neto da Xambá. A noite reúne expressões como coco de roda, capoeira, afoxé e música eletrônica.

Para Mãe Beth de Oxum, a edição comemorativa representa celebração e resistência diante dos desafios enfrentados pelo grupo. “É uma noite de celebração, festa e resistência. Poucos grupos tiveram a coragem de segurar uma resistência tão grande. Por um lado, nossa história é marcada pela violência policial, tivemos instrumentos saqueados, respondi quatro processos na justiça pelo crime de fazer coco, e celebramos a superação de, apesar de tudo isso, resistir, e nos tornar um patrimônio de Olinda, articular a comunidade mensalmente. Através dessa ação, a gente também influenciou outros movimentos de sambadas que nasceram no Estado”, afirma a ialorixá.

A edição deste ano ocorre em um contexto de fortalecimento da rede Cultura Viva. O Centro Cultural Coco de Umbigada integrou a delegação pernambucana na 6ª Teia Nacional de Pontos de Cultura, realizada recentemente em Aracruz, no Espírito Santo. A participação ocorreu por meio do Pontão Memória Viva Pernambuco, iniciativa coordenada pelo grupo voltada ao mapeamento, articulação e fortalecimento dos Pontos e Pontões de Cultura no estado.

Sem dissociar cultura e mobilização social, a sambada deste sábado também chama atenção para os impactos do racismo ambiental sobre comunidades negras, indígenas e quilombolas. O debate ganha relevância após as fortes chuvas registradas em Pernambuco no último mês, que provocaram danos em equipamentos culturais e espaços religiosos. Entre os locais atingidos está o Ilé Àṣè Osún Karé, terreiro liderado por Mãe Beth de Oxum, em Maranguape, no município do Paulista.

Além dos shows, a programação inclui homenagens a artistas, lideranças religiosas e mestres da cultura popular pernambucana. O Pontão Memória Viva também apresentará um balanço das discussões da Teia Nacional e reforçará a importância da participação do setor cultural nos debates sobre políticas públicas, financiamento e sustentabilidade da cadeia produtiva da cultura.

Atualmente, o Brasil possui mais de 15 mil Pontos e Pontões de Cultura certificados pelo Ministério da Cultura. Em Pernambuco, o Centro Cultural Coco de Umbigada recebeu em 2025 o título de Pontão Memória Viva PE e desenvolve ações de formação, articulação e fortalecimento da política Cultura Viva em diferentes regiões do estado.

Com informações de Brasil de Fato.