A Rússia intensifica esforços para consolidar o Brasil como parceiro estratégico no setor nuclear. Por meio da estatal Rosatom, o governo de Vladimir Putin propõe ampliar a cooperação tecnológica e econômica, com foco em mercados do Sul Global, após sofrer sanções e perder espaço comercial em países ocidentais.

Segundo informações apuradas, a Rosatom pretende ir além do fornecimento de combustível e radioisótopos para a saúde. Durante reuniões bilaterais em Brasília, representantes russos manifestaram interesse em construir novas unidades de energia no Brasil, incluindo reatores de grande e pequena capacidade. O objetivo é aprofundar a relação já existente com as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e transformar o país em um polo de influência russa na tecnologia atômica pacífica.

Devido às sanções ocidentais impostas após a guerra na Ucrânia, a Rússia perdeu grandes clientes. Para manter sua economia e influência, busca parceiros no Sul Global. A Rússia detém quase metade da capacidade mundial de enriquecimento de urânio, processo que transforma o mineral em combustível. Ao oferecer essa tecnologia, Moscou cria laços de dependência tecnológica e econômica de longo prazo com países como o Brasil.

Especialistas apontam que o Brasil possui um método próprio de enriquecimento de urânio em centrífugas, considerado extremamente eficiente. Estimativas indicam que o processo brasileiro pode ser até 80% mais barato que o americano ou o francês. Esse segredo tecnológico, desenvolvido pela Marinha e órgãos nacionais, é rigorosamente guardado, e a aproximação russa também serviria para tentar compreender ou colaborar com esse conhecimento de baixo custo.

O cenário gera alertas. O governo americano, sob Donald Trump, já aplicou tarifas comerciais pesadas contra países que financiam o setor de energia da Rússia. O Brasil, que importa volumes significativos de diesel e fertilizantes russos, poderia entrar no radar de sanções secundárias caso a parceria nuclear seja interpretada como apoio estratégico exagerado a Moscou, elevando o custo das exportações brasileiras para o mercado americano.

Oficialmente, o foco das negociações é civil e pacífico, voltado para energia e medicina. O Brasil é signatário de acordos internacionais que proíbem a produção de armas atômicas. Embora haja divergências entre analistas sobre uma possível ajuda russa no projeto do submarino nuclear brasileiro, a tendência é que as conversas permaneçam no campo técnico e comercial, já que as potências nucleares atuais evitam incentivar novos países a desenvolver armamentos.

Com informações de Gazeta do Povo.