O zagueiro Antonio Rüdiger, da seleção alemã e do Real Madrid, usou sua história familiar para defender a causa dos refugiados. Em entrevista ao jornal The Guardian, o jogador, que representa a Equipe Gamechanger da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), afirmou que os refugiados não têm outra escolha senão deixar seus países e que é importante que sejam ouvidos.
Rüdiger cresceu em Berlim, em uma comunidade formada majoritariamente por refugiados. Seus pais, Lily e Matthias, fugiram de Serra Leoa em 1991, no início da Guerra Civil que durou 11 anos e deslocou cerca de 2,5 milhões de pessoas. O zagueiro e uma irmã nasceram na Europa; os outros cinco irmãos nasceram na África.
— Você sente o maior respeito por eles (refugiados). Não é fácil deixar um lugar para trás e recomeçar em outro. Não têm outra escolha. Como isso aconteceu com a minha família, consigo compreender essas pessoas e me solidarizar com elas. É importante que elas sejam ouvidas — afirmou Rüdiger.
O futebol foi fundamental para sua integração. Segundo ele, na infância, bastava olhar pela janela e ver outros jovens jogando para se juntar a eles, mesmo sem falar o mesmo idioma.
— Se alguém não falasse a língua, nos entendíamos por meio da língua do futebol. Era ótimo, e isso continua até hoje. Hoje jogamos com tantas pessoas de origens diferentes: negros, brancos, seja lá o que for — isso não importa — contou o zagueiro.
Em maio, Rüdiger passou a integrar a Equipe Gamechanger da ACNUR, um time de futebol simbólico formado por jogadores que também foram refugiados ou passaram por situações semelhantes, como o lateral Alphonso Davies, do Bayern de Munique.
Futuro no Real Madrid e na seleção
Na temporada 2025/26, Rüdiger enfrentou incertezas sobre seu futuro profissional. Seu contrato com o Real Madrid se encerraria, mas foi renovado por mais um ano pelo presidente Florentino Pérez. O clube passou por troca de treinadores — de Xabi Alonso para Álvaro Arbeloa — e, pelo segundo ano consecutivo, não conquistou títulos de grande expressão (LaLiga, Copa do Rei ou Champions League).
— Há muito barulho. Isso é futebol, pode acontecer. Mas o que você quer que a gente faça? No fim das contas, devemos continuar chorando pelas últimas temporadas? Não. Tirar as conclusões certas e seguir em frente, porque o que se perdeu agora não dá para recuperar — refletiu Rüdiger.
Para 2026/27, o zagueiro deverá atuar sob o comando de José Mourinho, caso Florentino Pérez seja reeleito. Com a seleção alemã, Rüdiger se prepara para disputar sua terceira Copa do Mundo e tentará levar a equipe ao mata-mata do torneio pela primeira vez desde 2014.
Com informações de Trivela.