Uma lesão na panturrilha colocou em dúvida a participação de Neymar na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, reavivando a memória do corte de Romário às vésperas do Mundial de 1998, também por problemas físicos. A coincidência gerou comparações entre os dois ciclos, mas os números indicam cenários bastante distintos.

Levantamento do perfil “FutDados”, considerando apenas partidas oficiais (incluindo amistosos de seleções, mas excluindo amistosos de clubes e torneios amistosos), aponta diferença significativa na produção dos atacantes. Entre a conquista da Copa de 1994 e a convocação para 1998, Romário disputou 183 jogos e marcou 156 gols. Neymar, entre a Copa do Catar de 2022 e a preparação para 2026, somou 63 partidas e 23 gols.

Eficiência ofensiva coloca Romário em outra escala

A diferença mais evidente está na média de gols. Romário encerrou o ciclo pré-1998 com 0,85 gol por partida oficial; Neymar chega a 2026 com 0,37. Na prática, o Baixinho marcava a cada 1,2 jogos, enquanto Neymar precisou de aproximadamente 2,7 partidas para balançar as redes. A distância reflete não apenas características distintas, mas também o momento de carreira: Romário, após a Copa de 1994, estava em plena maturidade, com passagens de alto nível por Barcelona e PSV. Já Neymar enfrentou problemas físicos, especialmente a grave lesão no joelho em outubro de 2023, que interrompeu sua sequência no Al-Hilal. Mesmo após retornar ao Santos, sua média se manteve em 0,40 gol por jogo.

Romário também se destacou na frequência de partidas decisivas: em 42 ocasiões marcou dois ou mais gols (11 hat-tricks e 31 dobletes). Neymar atingiu essa marca apenas quatro vezes em 63 jogos.

Contraste entre os melhores anos

O auge de Romário no período foi 1997, com 57 gols em 57 partidas oficiais (média de um gol por jogo). Pela seleção, anotou 20 gols naquele ano e foi artilheiro da Copa das Confederações, com sete gols, incluindo um hat-trick na final contra a Austrália. Em 1996, pelo Flamengo, marcou cinco vezes na goleada por 6 a 2 sobre o Olaria.

Já Neymar teve o ciclo marcado por lesões. Em 2024, participou de apenas duas partidas oficiais e não marcou nenhum gol. Entre o último gol pelo Al-Hilal antes da lesão e o primeiro após o retorno ao Santos (fevereiro de 2025), passaram-se cerca de 500 dias sem gols em jogos oficiais. Enquanto Romário manteve temporadas consecutivas acima de 35 gols entre 1995 e 1998, Neymar acumulou seis gols em 2023, nenhum em 2024, 11 em 2025 e seis em 2026 até o momento do levantamento.

Seleção brasileira amplia vantagem

Pela seleção, Romário marcou 23 gols no ciclo pré-1998, sendo 20 em 1997. Neymar anotou apenas dois gols no ciclo pós-Catar, ambos na vitória sobre a Bolívia pelas Eliminatórias de 2023, antes da lesão.

Artilharias reforçam diferença

Romário terminou como artilheiro de seis torneios no período: três vezes do Campeonato Carioca (1996, 1997, 1998), além do Torneio Rio-São Paulo de 1997, da Copa das Confederações de 1997 e da Copa do Brasil de 1998. Neymar não foi artilheiro de nenhuma competição no ciclo pré-2026.

A comparação não busca definir quem foi melhor em termos absolutos, mas os números mostram que Romário chegou a 1998 em uma sequência ofensiva histórica, enquanto Neymar atravessou o caminho até 2026 marcado por lesões e baixa participação. Sob a ótica estatística, os dois cenários estão em extremos opostos.

Com informações de Trivela.