A cidade do Rio de Janeiro voltou a ser palco de discussões globais sobre clima e meio ambiente com a realização da Rio Nature & Climate Week (RNCW). O evento, que ocorreu ao longo da última semana, reuniu mais de 6 mil participantes e teve como objetivo representar a voz do Sul Global diante da crise climática e da perda de biodiversidade. Com edições anuais garantidas até 2030, a conferência já tem data para 2027: de 31 de maio a 5 de junho, quando pretende recriar a "Aldeia Global" e a ocupação histórica do Aterro do Flamengo de 1992.

Plataforma contínua de debates

Rodrigo Medeiros, líder do Programa Brasil da Re:wild e idealizador da Semana, explicou que a RNCW não será apenas um evento anual, mas uma plataforma contínua de debates e fortalecimento da agenda climática e ambiental. "Nós temos um conselho para fazer a curadoria dessas mensagens e ideias que foram discutidas aqui, e transformar isso num documento para levar isso mundo afora", afirmou. O movimento, batizado "Do Rio ao Rio", terá agenda cheia em 2026 com a realização das três convenções da ONU: Mudança do Clima, Diversidade Biológica e Combate à Desertificação.

Medeiros destacou que a inclusão da palavra "Nature" no nome da Semana reflete a centralidade da natureza nas soluções para a crise climática. "A natureza não é secundária, ela faz parte e é central na discussão da solução para a crise climática e todas as outras crises", acrescentou.

Debates e participação indígena

A conferência promoveu debates com especialistas, lideranças e tomadores de decisão sobre ações e soluções para o enfrentamento da crise climática e da perda de biodiversidade, garantindo desenvolvimento econômico, inclusão social e adaptação. As pautas incluíram estratégias para redução de emissões de carbono e metano, transição energética justa, governança, financiamento climático, o papel das cidades, impactos do aquecimento nos biomas brasileiros e a liderança dos povos indígenas.

A deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP), ex-ministra dos Povos Indígenas, que participou da conferência, destacou o avanço no reconhecimento dos territórios indígenas como medidas de mitigação à crise climática. "Durante essas 30 COPs, povos indígenas têm conseguido entrar no debate, participar dos processos e agora com reconhecimento, tanto da importância dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas, mas também avançamos no reconhecimento dos territórios indígenas como medidas de mitigação à crise climática", disse.

Promessa de novas unidades de conservação

No encerramento da conferência principal, na sexta-feira (5), Dia do Meio Ambiente, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD-RJ), reforçou a vocação da cidade como palco de debates globais e anunciou a criação do Corredor Azul. "Nas próximas semanas, nós vamos assinar os decretos que criam de vez o Corredor Azul na cidade do Rio de Janeiro e mais unidades de conservação na cidade", prometeu.

As quatro unidades de conservação previstas são: um Refúgio de Vida Silvestre na vertente oeste do maciço da Tijuca, área drenante para o Sistema Lagunar de Jacarepaguá; um Monumento Natural na Pedra da Panela; um Parque Natural Municipal nos brejos e mangues no entorno da Lagoa do Camorim; e uma Área de Proteção Ambiental que abrangeria diretamente as lagoas da Tijuca, Camorim e de Jacarepaguá.

Programação paralela e encerramento

A Rio Nature & Climate Week ocupou a cidade com painéis, seminários, fóruns, encontros setoriais, atividades comunitárias e exibição de filmes e documentários na Mostra Internacional de Cinema Grounded. Parte dos eventos paralelos foi realizada com apoio do edital Grassroots, que financiou 20 projetos ao longo da Semana, com foco em ações lideradas por organizações de base do território. O movimento Global Citizen Live fechou a programação no sábado (6), com shows gratuitos na Enseada de Botafogo.

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