O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, após o país norte-americano anunciar tarifas adicionais sobre produtos brasileiros sob a alegação de uso de trabalho escravo. A medida, aprovada pelo Congresso em 2025, autoriza o Brasil a suspender investimentos, ignorar patentes ou elevar impostos sobre itens originários de nações que imponham barreiras comerciais consideradas injustas.

Riscos para a economia

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a retaliação pode ter efeito contrário ao desejado. Muitos produtos importados dos Estados Unidos, como máquinas, produtos químicos e medicamentos, servem de matéria-prima para a indústria brasileira. Caso o governo aumente as tarifas sobre esses itens, o custo de produção no Brasil tende a subir, o que pode elevar os preços ao consumidor final e reduzir a competitividade das empresas nacionais no mercado internacional.

O temor é de um efeito 'tiro no pé', em um momento de inflação e desaceleração econômica. A oposição brasileira e até ex-aliados do governo sugerem que a retaliação deve ser a última opção. Políticos como Romeu Zema e Rogério Marinho defendem que o Brasil priorize os canais diplomáticos para negociar com Washington antes de iniciar uma guerra comercial.

Motivações e contexto

Os Estados Unidos justificam as sobretaxas com alegações de que setores da produção brasileira utilizam trabalho escravo e cometem 'atos onerosos' nos segmentos de comércio digital e mercado de etanol. Enquanto o governo Lula vê motivação política na decisão americana, a oposição atribui o impasse a uma falha na diplomacia bilateral.

Próximos passos

Embora a medida tenha sido anunciada pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), ela ainda depende do aval final da Casa Branca. Além disso, a política tarifária do governo de Donald Trump enfrenta questionamentos na Justiça americana. Itens relevantes da pauta de exportação brasileira, como carne bovina, café e alumínio, ficaram de fora das sanções por enquanto.

Diante do cenário, analistas recomendam cautela. A Lei da Reciprocidade Econômica deve ser acionada apenas como último recurso, após esgotadas as tentativas de negociação diplomática. O desfecho do contencioso ainda é incerto, e os impactos sobre os preços internos e a indústria nacional dependerão da evolução das tratativas.