Trecho do Rio Tietê. Foto: Divulgação
Uma nova pesquisa da Fundação SOS Mata Atlântica identificou contaminação em todos os trechos analisados do Rio Tietê, com presença de microplásticos, resíduos de medicamentos, agrotóxicos e cocaína nas águas.
O levantamento foi feito pela ONG em parceria com pesquisadores de universidades e, segundo os responsáveis, todos os pontos avaliados ao longo do rio apresentaram algum tipo de poluente. A análise também detectou substâncias ligadas à atividade agrícola e ao consumo de drogas.
Os pesquisadores afirmam que esta é a primeira análise do Rio Tietê com esse nível de detalhamento. A reportagem do SP1 visitou o trecho considerado mais crítico para verificar as condições indicadas pelo estudo.
Representantes da área ambiental afirmam que a pesquisa segue a mesma direção de estudos e relatórios da Cetesb e aponta a necessidade de universalizar o saneamento básico, ampliar a fiscalização sobre lançamentos de poluição e tratar o Tietê como um rio que atravessa todo o território paulista.
Bacia do Rio Tietê. Foto: Divulgação
A poluição também ficou visível nesta semana em Salto, a cerca de 100 quilômetros da capital paulista. Após a chuva de quarta-feira (24), um trecho do Tietê ficou tomado por espuma resultante da poluição.
O volume de espuma se espalhou por avenidas da região, segundo a reportagem. O episódio ocorreu no mesmo período em que o estudo apontou a presença de diferentes contaminantes nas águas do rio.
O governo de São Paulo afirma que o Tietê recebeu, durante décadas, grandes cargas de poluição de origem industrial e de esgoto doméstico. O estado diz que tem investido na ampliação do saneamento e anunciou R$ 23,5 bilhões para a despoluição dos rios Tietê e Pinheiros até 2029.
Segundo o governo estadual, desde 2023 cerca de 1,5 milhão de habitações deixaram de lançar esgoto doméstico diretamente no rio. A gestão afirma que a medida beneficiou aproximadamente 4 milhões de habitantes e ajudou a retirar carga orgânica das águas.