A Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA) informou nesta quarta-feira (3) que os proprietários de páginas da internet, incluindo veículos de comunicação, têm o direito de impedir que seus conteúdos sejam usados para alimentar as funcionalidades de busca com inteligência artificial (IA) do Google.
Editores de conteúdo digital, especialmente jornais, reclamam que os modelos de IA utilizam seu material sem pagamento de direitos autorais. Além disso, segundo os sites de notícias, os resumos gerados por IA nas respostas de busca reduzem a audiência e, consequentemente, as receitas publicitárias.
Em comunicado, o regulador britânico afirmou que a decisão colocará "os editores, em particular a imprensa, em uma posição mais favorável para negociar acordos de conteúdo com o Google". "Pela primeira vez no mundo, os editores disporão de ferramentas eficazes para impedir que seus conteúdos sejam utilizados para alimentar as funcionalidades de IA na busca", acrescentou o órgão.
Atualmente, o Google estrutura a busca com IA em dois formatos principais: o AI Overviews, que oferece resumos e respostas geradas por IA no topo da página, e o Modo IA, que funciona como um chat dentro do buscador e não está disponível em todos os países. Para produzir os resumos, a IA do Google recorre a conteúdos de sites, especialmente páginas de notícias.
Em uma postagem no blog da empresa, a responsável pelo ecossistema do Google Search, Mrinalini Loew, afirmou que a empresa está começando a testar uma nova ferramenta que permite aos editores "decidir se desejam que seu site apareça (...) e contribua com as respostas". No entanto, segundo Loew, "os sites que optarem por sair não receberão tráfego nem impressões" provenientes dessas funcionalidades.
O anúncio ocorre depois que a CMA designou, em outubro, o Google como uma empresa com "status estratégico no mercado" de busca online, devido à sua posição dominante, o que a submete a normas mais rígidas no Reino Unido. Segundo a CMA, 90% das buscas digitais no país são realizadas por meio do Google e mais de 200 mil empresas britânicas fazem publicidade na plataforma.
Com informações de Folha — Tec.