A rede hoteleira japonesa APA Group, famosa por seus quartos minúsculos e comodidades luxuosas, planeja expandir sua presença internacional, começando pela América do Norte. O conglomerado familiar, fundado há cinco décadas em Tóquio, busca crescimento fora do Japão em meio ao boom turístico impulsionado pelo iene fraco e aos desafios demográficos internos.
O presidente-executivo Isshi Motoya, filho dos fundadores, afirmou que a empresa pretende aumentar a receita internacional e avançar no segmento de alto padrão. A estratégia inclui operar hotéis próprios em grandes cidades dos EUA, franquias em mercados regionais e, posteriormente, expandir para Havaí e Austrália. A companhia projeta aumento de mais de 30% na receita até o ano fiscal de 2030 e dobrar o número de quartos no exterior para 10 mil no ano seguinte, parte por meio de aquisições.
A investida internacional começou há uma década com a compra da rede Coast Hotels, em Vancouver. A APA planeja usar a Coast para construir uma reputação premium no exterior e, depois, “reimportar” essa imagem ao Japão, à semelhança do que a Toyota fez com a Lexus, segundo Isshi.
No Japão, a APA se consolidou com quartos compactos e eficientes, banhos coletivos inspirados em onsen e localizações urbanas. Fundada em 1971 como imobiliária, a rede abriu seu primeiro hotel em 1984 e hoje conta com mais de 1.100 hotéis e quase 150 mil quartos globalmente.
Nos EUA, a APA já adquiriu e rebatizou um hotel em Seattle, seu primeiro empreendimento operado diretamente no país. Os quartos incluem assentos sanitários TOTO com washlet e duchas de mão, mas são adaptados ao gosto americano: o menor quarto em Seattle tem 21 metros quadrados, cerca do dobro do tamanho de um quarto padrão em Tóquio.
Analistas alertam para desafios no mercado norte-americano de hotéis econômicos e de médio padrão, já congestionado por grandes redes como Marriott e Hilton. “Uma marca estrangeira não afiliada, sem um ecossistema de fidelidade comparável, já começa em grande desvantagem de distribuição”, disse Krishna Sharma, da ReportPrime. O segmento econômico nos EUA viu a receita por quarto disponível crescer apenas 0,6% em 2025, enquanto o luxo avançou 4,2%.
A APA já conhece o público americano: viajantes dos EUA representam a maior fatia dos hóspedes internacionais da rede no Japão. O mercado doméstico japonês ainda cresce com o turismo — 42,7 milhões de turistas estrangeiros visitaram o Japão em 2025 —, mas o envelhecimento populacional pode contraí-lo no longo prazo, segundo Taro Yamato, da Euromonitor International.
Isshi Motoya assumiu a presidência em 2022, enquanto seu pai, Toshio, permaneceu como chairman até sua morte em 2025, e sua mãe, Fumiko, continua como presidente da operação hoteleira. Fumiko é o rosto público da marca, conhecida por seu estilo extravagante e pelo bordão “Eu sou a presidente”. A fortuna da família foi estimada em cerca de US$ 2 bilhões pelo Bloomberg Billionaires Index.
Sob a liderança de Toshio, a APA esteve envolvida em controvérsias políticas, incluindo a negação do Massacre de Nanjing em textos publicados por ele, o que gerou boicote na China em 2017. Isshi busca suavizar o perfil político da empresa: “Na sociedade de hoje, precisamos considerar se é apropriado empurrar esse tipo de mensagem de forma tão forte para a linha de frente”, disse. O novo CEO tenta reposicionar a APA como marca global, inclusive patrocinando a seleção japonesa de futebol para a Copa do Mundo.
Com informações de InfoMoney.