O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Foto: Rosinei Coutinho/STF
As decisões de um juiz do Supremo estão acima das decisões de todos os juízes de todas as outras instâncias. Porque um juiz supremo, que decide pelo que manda a Constituição, deve ter sapiência sobre o fundamental e o elementar do que está na lei maior.
Pois o ministro Gilmar Mendes disse no Roda Viva que seu colega André Mendonça não deveria ter recebido o advogado de Daniel Vorcaro para tratar de delação. Porque não tem essa prerrogativa.
A delação não está prevista na Constituição, é lei ordinária, e deve ser tratada por Polícia Federal e Ministério Público, segundo Mendes. Por isso ele diz que Mendonça, relator do caso Master, cometeu “um erro crasso” ao se meter no assunto. O próprio Mendonça admitiu ter recebido o advogado.
No #RodaViva desta segunda-feira (22), o ministro do STF Gilmar Mendes avalia a condução do colega André Mendonça do caso Master no Supremo.#TVCultura #RodaViva #SomosCultura #GilmarMendes pic.twitter.com/3FfZHXXgDc
— Roda Viva (@rodaviva) June 23, 2026
E aí o cidadão comum, que fica esperando lições de sapiência desses senhores, pode se perguntar, com certa aflição: se um juiz do Supremo não sabe interpretar uma lei comum, pode ele ter boas interpretações da lei maior?
Mendes acha que o caso Master se encaminha para ser uma repetição da Lava-Jato, que considera “o maior escândalo judicial do mundo”. Os erros crassos do lavajatismo foram cometidos por Sergio Moro, que virou senador da República.
Os erros de Sergio Moro foram corrigidos pelo STF que abriga Mendes e Mendonça. Mas o erro crasso de Mendonça foi cometido por um ministro do STF. Quem irá corrigi-lo, se os juízes supremos estão acima de tudo e de todos e às vezes ao lado de alguns?