A queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas intenções de voto para a Presidência, registrada pela pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10), reacende o debate sobre a dificuldade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em abrir mão de candidaturas do núcleo familiar. A avaliação é da cientista política Rosimary Segurado, diretora do Coletivo Digital, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Segundo o levantamento, em um eventual segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 44% das intenções de voto contra 38% de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, Lula aparece com 39%, enquanto o senador caiu de 33% para 29% desde maio. A rejeição de Flávio atingiu 56%, superando os 53% registrados por Lula.
Para Segurado, a queda do senador vai além da margem de erro, indicando um declínio consistente. Ela afirma que o comportamento do eleitor independente, menos fiel ao bolsonarismo, tem sido decisivo nesse movimento. “Bolsonaro prefere perder com seu filho do que apoiar um outro candidato”, disse a pesquisadora, ao comentar a resistência do ex-presidente em ceder espaço a outras lideranças de direita.
Desgaste após caso Banco Master
A cientista política relaciona o enfraquecimento de Flávio Bolsonaro à repercussão de informações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. “O que a pesquisa da Quaest nos traz é uma confirmação de uma tendência que já vinha sendo apresentada por pesquisas de outros institutos”, afirmou. Segundo ela, o escândalo afetou especialmente os eleitores que não fazem parte do núcleo duro do bolsonarismo.
Enquanto isso, Lula apresenta melhora gradual na aprovação do governo: 47% dos entrevistados aprovam a gestão petista, contra 48% que desaprovam. A diferença já chegou a nove pontos percentuais em levantamentos anteriores. Segurado cita medidas como o Desenrola 2.0, a proposta de mudança na tributação do Imposto de Renda e o debate sobre o fim da escala 6×1 como fatores que podem contribuir para essa recuperação.
Cenário eleitoral e terceira via
A pesquisa também testou outros nomes. A cientista política destacou que governadores como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) têm dificuldade para se diferenciar do bolsonarismo. Já Renan Santos, da Missão, aparece à frente dos dois em alguns cenários. “Talvez ele tenha até um pouco mais de condições de aparecer como essa terceira via”, avaliou.
Segurado observou ainda que a disputa presidencial já influencia o Congresso. Ela citou propostas como o fim da escala 6×1 e a redução da maioridade penal — aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara nesta quarta — como instrumentos de mobilização política. “Votar contra os trabalhadores é um suicídio político. Eles sabem disso, têm essa análise, têm esse cálculo. No entanto, também sabem que é possível criar constrangimentos para a base parlamentar de apoio ao presidente Lula”, concluiu.
Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.