As bolsas de valores registraram fortes perdas nesta terça-feira (23), em um movimento liderado pelas empresas de tecnologia e semicondutores.

A correção atingiu mercados dos Estados Unidos, Ásia e Europa e expôs uma preocupação crescente entre investidores: a possibilidade de que o entusiasmo em torno da inteligência artificial tenha elevado excessivamente o valor de algumas companhias.

O índice Nasdaq 100, que reúne as maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, caiu 2,5%, enquanto um índice que acompanha fabricantes de chips recuou cerca de 7%.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi entrou em território de correção ao acumular queda superior a 10% em relação à máxima recente, após ter sido um dos mercados com melhor desempenho em 2026.

Mercado questiona retorno dos investimentos em IA

A realização de lucros ocorre após meses de valorização impulsionada pela expansão da inteligência artificial.

Desde o fim do primeiro trimestre, investidores apostavam que grandes empresas de tecnologia seriam as principais beneficiadas da demanda crescente por infraestrutura computacional, centros de dados e chips avançados.

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Nos últimos meses, gigantes do setor anunciaram planos de investimento que somam centenas de bilhões de dólares em inteligência artificial.

Empresas como a Microsoft, a Alphabet, a Amazon e a Meta ampliaram gastos com infraestrutura digital, data centers e desenvolvimento de modelos avançados de IA.

O mercado, porém, começa a questionar se o retorno financeiro desses investimentos será suficiente para justificar avaliações que alcançaram níveis recordes.

Analistas apontam que a preocupação não é necessariamente com a tecnologia em si, mas com o ritmo de monetização dos projetos.

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Coreia do Sul amplia sinais de cautela

Parte da turbulência teve origem na Coreia do Sul, onde investidores estrangeiros venderam mais de US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 13,9 bilhões) em ações em um único pregão.

Segundo operadores, a queda foi intensificada pelo uso elevado de alavancagem por investidores de varejo e por vendas automáticas ligadas a fundos negociados em bolsa que acompanham ações de fabricantes de semicondutores.

Entre as empresas mais pressionadas estavam a SK Hynix e a Samsung Electronics, duas das principais fornecedoras da cadeia de inteligência artificial.

O episódio chamou a atenção de gestores porque o mercado sul-coreano vinha sendo um dos principais beneficiários da corrida por chips avançados utilizados em treinamento de modelos de IA.

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Resultado da Micron será teste para o setor

Os investidores agora aguardam os resultados trimestrais da Micron Technology, previstos para esta semana. O balanço é visto como um importante indicador da demanda por infraestrutura de inteligência artificial.

A companhia se tornou uma das maiores beneficiárias da expansão dos data centers e da necessidade crescente de memória para aplicações de IA. Mesmo após a queda recente, as ações da empresa acumulam forte valorização em 2026.

Analistas afirmam que os resultados poderão ajudar a responder uma questão central para o mercado: se o crescimento da demanda por inteligência artificial continua forte o suficiente para sustentar os investimentos anunciados pelas gigantes do setor.

Busca por proteção favorece títulos públicos e iene

O movimento de aversão ao risco levou investidores a migrar para ativos considerados mais seguros.

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Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos registraram valorização, enquanto moedas tradicionalmente associadas à proteção em períodos de turbulência, como o iene japonês e o franco suíço, ganharam força.

Em sentido contrário, ativos mais sensíveis ao apetite por risco sofreram perdas. O bitcoin recuou quase 3%, enquanto outras criptomoedas também operaram em queda.

Apesar da correção, analistas destacam que os principais índices acionários ainda acumulam ganhos expressivos em 2026.

A questão que domina Wall Street não é mais se a inteligência artificial transformará a economia, mas quanto tempo será necessário para que os lucros acompanhem as expectativas que impulsionaram a valorização das empresas do setor.

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