A mais recente pesquisa da Quaest, divulgada nesta semana, revelou um cenário fragmentado na corrida presidencial de 2026, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) perdendo força e os demais nomes de direita e centro-direita ainda sem conseguir herdar de forma consistente o eleitorado anti-Lula. O levantamento, realizado após a revelação de mensagens em que Flávio pediu dinheiro ao banqueiro preso Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, indica uma vantagem de dez pontos percentuais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador.

Cenário do primeiro turno

No primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Os candidatos de direita e centro-direita fora do núcleo bolsonarista somam 12%, mas estão pulverizados: Renan Santos (Missão) marca 3%, empatado com Ronaldo Caiado (PSD); Aécio Neves (PSDB), testado pela primeira vez, registra 2%, mesmo índice de Romeu Zema (Novo). Todos, porém, encontram-se tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

O paradoxo da direita

Felipe Nunes, diretor da Quaest, classificou os resultados como um "paradoxo da direita". Segundo ele, Flávio Bolsonaro continua sendo o principal nome da oposição, mas não conseguiu transformar essa posição em hegemonia no campo conservador. "Ele carrega o sobrenome Bolsonaro, o que dá para ele um piso, mas também impõe para ele um teto", afirmou Nunes, em entrevista ao g1.

"Ele carrega o sobrenome Bolsonaro, o que dá para ele um piso, mas também impõe para ele um teto." — Felipe Nunes, diretor da Quaest

Recortes internos

Os dados segmentados reforçam o diagnóstico. Entre os eleitores que se identificam como bolsonaristas, Flávio concentra 94% das intenções de voto, herdando quase sozinho o capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Já entre eleitores de direita que não se consideram bolsonaristas, o cenário é mais fragmentado: Flávio lidera com 59%, mas Renan Santos aparece com 11%.

Mudanças entre independentes

O grupo dos eleitores independentes, considerado decisivo em uma disputa nacional, foi onde se registrou a maior mudança. No primeiro turno, Lula lidera nesse segmento com 28%, contra 14% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno entre os dois, o petista alcança 37%, enquanto o senador obtém 24%; 30% dos independentes afirmam que não votariam em nenhum deles. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi realizada após a revelação das mensagens sobre o financiamento do filme "Dark Horse", além de considerar os efeitos políticos das medidas dos Estados Unidos após o encontro de Flávio com Donald Trump e a melhora na percepção do governo Lula, segundo Nunes.