O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou nesta sexta-feira (5) que não vê sentido em se encontrar com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, após este ter proposto um encontro pessoal em carta aberta. A declaração foi feita durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo.
Na quinta-feira (4), Zelensky publicou uma carta endereçada a Putin, sugerindo o início de negociações diretas entre os dois países e um encontro presencial entre os líderes. Segundo Putin, Zelensky já havia solicitado uma reunião pessoal por intermédio de um empresário russo semanas antes da divulgação da carta.

Ao comentar a proposta, Putin afirmou que negociações realizadas apenas pelo processo em si seriam inúteis. Para ele, o diálogo direto só deve ocorrer quando houver acordos pré-determinados. “Não vejo sentido em nos encontrarmos. O único objetivo para o lado ucraniano é impedir o avanço de nossas Forças Armadas. Só isso”, disse.
Putin defendeu que os acordos devem ser de longo prazo, não temporários. “Precisamos de acordos não para seis meses, nem para três meses, mas para o longo prazo. Deixem os especialistas trabalharem, desenvolverem algumas soluções, e então poderemos nos encontrar, estar presentes, como eu disse, na assinatura de alguns documentos, ou até mesmo assinar algo. Mas primeiro, precisamos encontrar uma solução”, acrescentou.

O presidente russo também comentou o andamento do conflito, expressando confiança de que os confrontos terminarão quando a Rússia atingir seus objetivos. Ele afirmou que os objetivos da “operação militar especial” — termo usado pelo Kremlin para se referir à guerra — permanecem inalterados. O primeiro objetivo seria a completa libertação da região de Donbass. Segundo Putin, a região de Lugansk foi “completamente libertada” em 1º de abril, e menos de 15% do território de Donetsk ainda estaria sob controle ucraniano.
Anteriormente, o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, negou que Putin tenha estabelecido um prazo para o fim da operação militar. O Kremlin reiterou que a retirada das tropas ucranianas de Donbas é condição essencial para a paz, e que a Rússia está disposta a negociar em seus próprios termos.

Com informações de Brasil de Fato.