O presidente da Rússia, Vladimir Putin, rejeitou nesta sexta-feira (5) a proposta de seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, para uma reunião presencial. A recusa ocorreu durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, onde Putin afirmou não ver sentido no encontro e classificou como “grosseiro” o estilo da carta enviada por Zelensky.
Na carta pública divulgada na quinta-feira (4), Zelensky sugeriu uma reunião em um país neutro, como Suíça, Turquia ou uma nação árabe, para negociações diretas visando encerrar o conflito. Putin, no entanto, argumentou que o importante seria fechar um acordo definitivo e duradouro, e não apenas realizar uma reunião.
Em resposta, Zelensky afirmou que Putin “escolheu a guerra” novamente. “Infelizmente, o lado russo escolheu, mais uma vez, a guerra”, escreveu em sua conta no X. O líder ucraniano classificou a reação russa como uma “resposta fraca” e disse que “ele simplesmente não quer terminar a guerra”.
Putin também descartou um cessar-fogo, defendendo que as negociações de paz podem ocorrer enquanto os combates continuam — posição refutada por Zelensky, que propôs uma trégua. O presidente russo afirmou estar disposto a assinar a paz, desde que a Ucrânia faça concessões, como a retirada de tropas de Donetsk.
A União Europeia, Alemanha e França parabenizaram a proposta ucraniana. O presidente francês, Emmanuel Macron, considerou obsoleta a exigência russa de retirada ucraniana da região de Donbas.
Ataques e incidentes no Mar Negro
Ainda nesta sexta-feira, a Ucrânia afirmou ter atacado cinco navios que transportavam carga ilegal no Mar de Azov, em águas costeiras de territórios ocupados pela Rússia. Segundo o comandante das forças de drones ucranianas, Robert Brovdi, as embarcações estavam envolvidas no roubo de grãos e no transporte de carga militar e combustível. Brovdi não mencionou baixas.
O Ministério das Relações Exteriores do Azerbaijão identificou dois dos navios como Nastra e Circon e confirmou a morte de cinco cidadãos azerbaijanos nos ataques, mas não especificou a autoria e observou que os navios não pertenciam ao país.
Em outro incidente, um drone naval explodiu no porto romeno de Constança, no Mar Negro, sem causar vítimas. O Ministério da Defesa da Romênia informou que o drone se autodetonou perto de um terminal de petróleo, causando danos consideráveis a um navio e armazéns. A Ucrânia confirmou o envolvimento de um de seus drones e alegou que ele foi desviado por interferência eletrônica russa. Moscou não se pronunciou.
O presidente romeno, Nicusor Dan, classificou o episódio como o segundo “incidente de segurança significativo desta semana”, após a descoberta de uma mina terrestre à deriva em uma praia próxima. O incidente ocorre uma semana depois de um drone russo ter ferido duas pessoas em Galati, na Romênia — Moscou considerou as acusações “infundadas”.
Com informações de Gazeta do Povo.