O Partido dos Trabalhadores (PT) definiu o vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff, sobrinho-neto da ex-presidente Dilma Rousseff, como coordenador da estratégia partidária nas redes sociais durante a campanha eleitoral. A informação foi publicada pela revista Veja.
Segundo a reportagem, Pedro Rousseff já atuava como consultor do governo para intervenções digitais em momentos de crise desde que foi eleito em 2024. No início do ano, ele participou de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, acompanhado da primeira-dama Janja da Silva e do ministro Sidônio Palmeira, chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência. Na ocasião, o vereador foi elogiado pela “irreverência e combatividade” e convidado para “fazer na internet tudo aquilo que Lula não poderá fazer”, conforme suas próprias palavras.
A missão de Rousseff é alinhar suas redes sociais, que somam cerca de 2 milhões de seguidores, com as do PT para unificar a ação e o discurso da militância na internet, além de fazer frente à oposição. Em 2022, essa tarefa coube ao deputado André Janones (Rede-MG), que perdeu o posto após denúncias de rachadinha. Agora, caberá ao vereador responder a ataques virtuais e proteger Lula. “O presidente, em certos casos, precisará ignorar o adversário e ter pessoas como eu, que atuem para colocar as coisas no lugar em nome dele”, afirmou Rousseff.
O vereador criou um grupo de WhatsApp com mais de 400 influenciadores alinhados ao governo, batizado de “guerrilha”, para difundir conteúdos e orientar a militância. “Apareceram fake news, crítica ou qualquer ataque ao presidente, a gente entra em campo”, disse. O principal alvo é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.
O primeiro grande teste do grupo foi o caso Master, quando Flávio Bolsonaro foi acusado de pedir dinheiro ao dono do banco para financiar uma cinebiografia do pai. Segundo a empresa de tecnologia Palver, que monitora grupos de WhatsApp e Telegram, 62% das mensagens sobre o tema foram críticas ao senador. O segundo teste ocorreu após o governo americano classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas: a “guerrilha” impulsionou discursos contra a medida, e 59% das mensagens monitoradas foram desfavoráveis à decisão dos EUA.
Do lado da oposição, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro monta um bunker em São Paulo com 12 pessoas para centralizar ações virtuais do PL, com foco em ataques e monitoramento de adversários. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que tem 43 milhões de seguidores, é visto como inspirador do grupo e foi escolhido como o segundo alvo principal do PT. “Nikolas é um político muito perigoso. Ele não tem ética nem moral. Temos que enfrentá-lo”, disparou Rousseff. Os dois têm rixa pessoal, trocam acusações e disputam uma vaga na Câmara dos Deputados em outubro.
Com informações de Veja.