O PSDB e o Missão, partido recém-criado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), intensificaram conversas nas últimas semanas para um possível acordo eleitoral que envolve as disputas pelo governo de São Paulo e pela presidência da República em 2026. De acordo com informações de bastidores reportadas pela Folha de S.Paulo, a proposta prevê apoio mútuo: o PSDB paulista bancaria a candidatura presidencial de Renan Santos, enquanto o Missão retribuiria com apoio ao ex-prefeito Paulo Serra no estado.

A negociação, ainda informal, esbarra em impasses internos e na articulação do governador Tarcísio de Freitas, que tenta atrair os tucanos para sua própria coligação. Segundo a Folha de S.Paulo, o PSDB paulista apoiaria Renan Santos à presidência, e o Missão daria suporte a Paulo Serra ao governo de São Paulo. As conversas ganharam tração recentemente, revelando dois grupos que buscam relevância em um cenário eleitoral desfavorável.

O PSDB, que já governou o país por oito anos e dominou a política paulista por décadas, hoje não tem candidato competitivo em nenhum dos dois planos. O Missão, por sua vez, é uma sigla nova, criada pelo MBL para converter influência nas redes e nas ruas em votos. A aliança, se confirmada, seria uma aposta cruzada de sobrevivência.

Impasses internos e renúncias necessárias

Para que o acordo saia do papel, os dois partidos precisam resolver problemas significativos. Do lado do Missão, a condição é a retirada da pré-candidatura do deputado federal Kim Kataguiri ao governo de São Paulo. Kataguiri já sinalizou interesse na disputa estadual, e abrir mão dela representaria um custo político interno. Do lado tucano, o PSDB teria de desistir de lançar um nome próprio à presidência, o que significa desmobilizar a pré-candidatura do deputado federal Aécio Neves (MG).

A viabilidade eleitoral de ambos os nomes é incerta. Nem Aécio Neves nem Kim Kataguiri figuram entre os nomes com tração real nas pesquisas nacionais ou estaduais, o que torna a renúncia a essas candidaturas ao mesmo tempo custosa internamente e pouco onerosa do ponto de vista eleitoral concreto. O paradoxo revela o estado frágil em que ambos os partidos se encontram.

A pressão de Tarcísio de Freitas

Um terceiro elemento complica o tabuleiro: o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) conduz uma ofensiva para atrair o PSDB para sua coligação em São Paulo. A movimentação coloca os tucanos diante de uma escolha que vai além do cálculo eleitoral imediato. Aderir à coligação de Tarcísio significaria integrar o campo bolsonarista no estado mais rico e populoso do país.

A pressão do governador funciona como um elemento de desestabilização para qualquer acordo com o Missão. Se o PSDB ceder ao assédio de Tarcísio, a negociação com o MBL perde sentido. Se resistir, precisa demonstrar que tem projeto próprio suficiente para justificar a independência. O partido está em uma encruzilhada: entre a adesão ao bolsonarismo paulista e a tentativa de construir uma alternativa à direita que ainda não tem forma definida.

Crise estrutural e fim de um projeto

A busca por uma aliança com o partido do MBL não é apenas uma jogada tática: é o sintoma mais visível de uma crise estrutural. O PSDB, que se apresentou por décadas como o partido da social-democracia brasileira e da modernização institucional, hoje negocia com um movimento que construiu sua identidade política no confronto com esse mesmo establishment. A aproximação sinaliza que o tucanato está disposto a ignorar divergências históricas em nome da sobrevivência eleitoral.

O movimento expõe também a fragilidade de legendas que tentam se reposicionar à direita sem base popular consolidada. O espaço que o PSDB tenta ocupar é hoje disputado pelo bolsonarismo com muito mais vigor e estrutura. Sem candidatos competitivos, sem narrativa própria e pressionado por Tarcísio de Freitas, o partido recorre a uma aliança pragmática com quem, até recentemente, era seu adversário de identidade. Se a negociação com o Missão se concretizar, ficará evidente que o projeto original do PSDB como alternativa democrática autônoma à direita brasileira chegou, na prática, ao fim.

Com informações de Revista Fórum.