Pelo décimo dia consecutivo, a Albânia registra protestos populares contra a construção de um resort de luxo associado a Ivanka Trump e Jared Kushner, respectivamente filha e genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nesta terça-feira (09/06), manifestantes se reuniram em Tirana e na costa sul do país para exigir o cancelamento do empreendimento, que tem previsão de investimento de aproximadamente US$ 4 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões).

O primeiro-ministro albanês, Edi Rama, confirmou à agência Reuters que o projeto será mantido, apesar da oposição. "Fui eleito para fazer essas coisas acontecerem", declarou, classificando a iniciativa como "linda" e afirmando que o país se orgulhará de contribuir para a Europa. A área proposta para o resort abrange a ilha de Sazan e trechos da paisagem protegida de Zvernec, um ecossistema costeiro sensível que abriga flamingos, focas e sítios de nidificação de tartarugas marinhas.

Os críticos apontam riscos ambientais e denunciam a aquisição de terras preservadas por grandes investidores. O empreendimento, tocado pela empresa de investimentos de Kushner e apoiado pelo governo albanês, prevê ocupar aproximadamente 618 acres dentro da área úmida protegida. Na segunda-feira (08/06), milhares de jovens se juntaram às marchas na Praça Skanderbeg, em Tirana, carregando cartazes com os dizeres "Albânia não está à venda" e pássaros infláveis cor-de-rosa, símbolo do movimento batizado de "Revolução do Flamingo".

O fim de semana foi marcado por confrontos entre manifestantes e seguranças privados no local onde será erguido o resort. A Comissão Europeia, por meio do porta-voz Guillaume Mercier, informou que acompanha os acontecimentos e já expressou preocupações ao ministro do Meio Ambiente albanês, Sofjan Jaupaj. Nos Estados Unidos, o senador Bernie Sanders (Vermont) manifestou-se em redes sociais, afirmando que "mais de cem mil pessoas foram às ruas contra um resort de luxo ambientalmente desastroso planejado pelo genro de Trump, Jared Kushner, e seus parceiros bilionários do Catar".

Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.