O prefeito de São José dos Campos (SP), Anderson Farias Ferreira (PSD), foi alvo de uma ação civil de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público, que o acusa de nepotismo afetivo. A promotora de Justiça Ana Cristina Ioriatti Chami, autora da ação, alega que o prefeito nomeou sucessivamente a enfermeira Milena Guimarães Coelho para cargos comissionados em razão de um relacionamento amoroso entre eles.
No documento de 24 páginas, a promotora pede a anulação dos atos de nomeação, a quebra do sigilo bancário do casal, a suspensão dos direitos políticos de ambos e o pagamento de multa. Segundo o Ministério Público, as nomeações de Milena ocorreram em contexto de relação íntima com o chefe do Executivo, configurando burla aos princípios da moralidade e impessoalidade.
A ação aponta que Milena exerceu diversos cargos comissionados supostamente favorecida pela proximidade pessoal com o prefeito, situação que seria notória no ambiente administrativo. A promotora afirma que o caso caracteriza nepotismo impróprio, em violação à Súmula Vinculante 13 e aos princípios do artigo 37 da Constituição. “Há evidências de que as nomeações da sra. Milena Guimarães Coelho na administração pública de São José dos Campos foram efetivadas concomitantemente a seu relacionamento afetivo com o prefeito, sendo que mantinham relação adúltera, impondo-se nulidade dos atos de nomeação e responsabilização pela improbidade explícita”, destaca a promotora.
Em nota, o prefeito Anderson Farias disse ter recebido a ação com “absoluta indignação” e negou qualquer irregularidade. “Em momento algum pratiquei qualquer irregularidade ou ilegalidade”, afirmou. Ele declarou confiar na Justiça e que adotará todas as medidas cabíveis para sua defesa.
O caso veio a público após um desentendimento entre Milena e Sheila Cristina Thomaz Ferreira, esposa do prefeito. Segundo relato de Milena, após assumir o cargo de diretora do Departamento de Vigilâncias em Saúde, Sheila passou a persegui-la, indo ao seu local de trabalho para expô-la. Milena afirma que Sheila teria produzido um dossiê com fatos inverídicos e contratado pessoas para fotografá-la em casa, no trabalho e em outros lugares, com o objetivo de que ela fosse demitida. O Estadão tenta contato com Sheila; o espaço está aberto para manifestação.
Com informações de InfoMoney.