Papagaios e araras, aves multicoloridas que são símbolos do Brasil, enfrentam ameaças constantes como incêndios, tráfico de animais e perda de habitat. Para reverter esse cenário, projetos de conservação em diferentes regiões do país têm se dedicado a reintroduzir espécies na natureza, com estratégias que vão de ninhos artificiais a treinamentos de voo livre.
Papagaio-de-cara-roxa sai da lista de ameaçados
Endêmico do litoral do Paraná e de São Paulo, o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) sofria com o tráfico ilegal e a falta de árvores para nidificação. Um projeto apoiado por pesquisadores e pela comunidade local instalou ninhos artificiais na Mata Atlântica. Em 20 anos, a população saltou de 5 mil para 9 mil indivíduos, fazendo com que a espécie passasse do status de "ameaçada" para "quase ameaçada" — um feito raro no Brasil.

Aulas de voo livre para araras-canindé
Araras-canindé criadas em cativeiro enfrentam enormes dificuldades quando soltas na natureza, como predadores e busca por alimento. Em São Simão (SP), o treinador Chris Biro conduz um projeto inédito de aulas de voo livre, preparando as aves para uma vida natural. Biro compara a situação a "criar um adolescente a vida inteira dentro de um quarto fechado e, de repente, soltá-lo em um shopping center lotado", destacando a complexidade da adaptação.
Papagaio-chauá retorna a fragmentos da Mata Atlântica em Alagoas
Nos poucos remanescentes de Mata Atlântica em Alagoas, o papagaio-chauá (Amazona rhodocorytha) voltou a ser avistado após anos de ausência. A reintrodução da espécie, que é endêmica do bioma e importante dispersora de sementes, foi possível graças a parcerias entre cientistas e proprietários de terras privadas, que criaram reservas particulares. O regresso do chauá é fundamental para a regeneração das florestas, já que a ave cumpre um papel ecológico essencial.

Arara-azul-de-lear supera risco de extinção
A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), endêmica da Caatinga baiana, quase desapareceu devido à caça ilegal e à destruição do habitat. Hoje, estima-se que mais de 2.700 indivíduos vivam na natureza, um número bem superior aos registros do final do século passado. Esse crescimento é resultado de iniciativas de conservação, como a recriação das condições ambientais da Caatinga no interior de São Paulo.
Parque Nacional da Tijuca combate a "síndrome da floresta vazia"
No Rio de Janeiro, o Parque Nacional da Tijuca trabalha para reintroduzir animais e restaurar a interação com a flora, essencial para a dispersão de sementes. Entre as aves reconduzidas à unidade de conservação estão a arara-canindé (Ara ararauna) e o tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus), cujo retorno começou nos anos 1970. O tucano, com seu bico poderoso, é capaz de quebrar sementes duras, contribuindo para a regeneração da Mata Atlântica.

Com informações de Mongabay Brasil.