Imagens de uma suposta “Times Square” paulistana, a ser instalada no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, viralizaram nas últimas semanas. O projeto, anunciado pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo prefeito Ricardo Nunes, prevê parceria entre o governo estadual, a prefeitura e o grupo empresarial Fábrica de Bares, com instalação de painéis digitais em prédios da região e realização de atividades culturais sob gestão e curadoria do grupo.
No dia 27 de maio, a Justiça paulista suspendeu provisoriamente o projeto, solicitando mais esclarecimentos técnicos. A polêmica gerou debate sobre as prioridades da política cultural na cidade, enquanto megaeventos e grandes ações são destacados pela gestão, que se orgulha de realizar o maior carnaval de rua do Brasil e promete intensificar a programação cultural.

Concessões e parcerias público-privadas na área da cultura e lazer são alvo de críticas. Grupos artísticos e espaços consagrados relatam despejos e até violência por parte da guarda municipal. Um exemplo é o Bloco Vai Quem Qué, que desfila desde os anos 1980 e, no último carnaval, teve foliões dispersados com bombas e gás lacrimogêneo.
O Teatro de Contêiner, sede da Cia Mungunzá de Teatro, localizado na região conhecida como “Cracolândia”, foi demolido no início do ano após disputa judicial entre o grupo e a prefeitura. Já o Grêmio Cruz da Esperança, clube de futebol de várzea que abriga o Samba do Cruz, na zona norte, foi notificado de que não haverá espaço para manutenção do samba após concessão à iniciativa privada para criação de um parque. O grupo luta para ser classificado como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade, tentando evitar a demolição prevista para 14 de junho.


Com informações de Agência Pública.