Jim Caviezel interpretando Jair Bolsonaro em cena num hospital no filme “Dark Horse”. Foto: Reprodução
A Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), depositou em juízo R$ 46,1 mil referentes a uma parcela do aluguel do Hospital Indianópolis, na zona sul de São Paulo, usado como locação para cenas do longa. A penhora não tem relação direta com o filme.
A Justiça solicitou o valor por causa de uma execução judicial contra o hospital, vinculada a uma dívida de R$ 895 milhões em honorários advocatícios. A unidade serviu de cenário para cenas em que Bolsonaro aparece internado e operado após a facada sofrida em Juiz de Fora (MG), durante a campanha presidencial de 2018.
O contrato entre a Go Up e o Hospital Indianópolis foi assinado em setembro de 2025, no valor total de R$ 92,2 mil. A produtora pagou a primeira parcela no ato da assinatura diretamente ao proprietário da instituição, mas a segunda parcela acabou penhorada pela Justiça.
Em decisão de novembro, a juíza Samira de Castro Lorena, da 4ª Vara Cível de Jabaquara, determinou o depósito judicial da quantia. “Fica intimada a empresa Go Up Entertaiment para que deposite o valor ora penhorado, em conta vinculada a este feito e juízo, sob pena de Desobediência”, escreveu a magistrada.
Oficial de Justiça encontrou equipe da produtora no hospital
Segundo o processo, um oficial de Justiça foi ao Hospital Indianópolis para levantar bens e equipamentos que poderiam entrar na penhora e encontrou a equipe da Go Up no local. “Constatei que, no local, havia membros de uma produtora norte-americana (Goup Entertainment Ltda) que trabalhava na edição de um filme internacional, utilizando-se das dependências e dos equipamentos do Hospital”, relatou.
O oficial afirmou que separou os bens ligados ao hospital daqueles pertencentes à produção. “Com o auxílio dos funcionários da produtora, tivemos o cuidado de individualizar os bens, de forma que os bens constritos não são os da produtora ou os por ela locados. Foi solicitado o contrato de locação entre produtora e executado, onde foi procedido o arresto desse contrato de locação”, completou.
A Go Up fez o depósito dos R$ 46,1 mil em uma conta vinculada ao Tribunal de Justiça de São Paulo em 2 de dezembro. Em fevereiro, o credor que move a ação contra o hospital pediu acesso ao dinheiro depositado pela produtora.
Filme é alvo de investigações sobre financiamento e contratos
Karina Gama, produtora de “Dark Horse”. Foto: Reprodução
“Dark Horse” também entrou na mira de investigações por suspeitas envolvendo repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o projeto. Outro inquérito, conduzido pela Polícia Civil de São Paulo, investiga Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up, sob suspeita de desviar dinheiro da Prefeitura de São Paulo para a produção do filme.
A suspeita citada na investigação envolve o Instituto Conhecer Brasil, organização que tem a produtora como representante e recebeu contrato de R$ 108 milhões da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para instalar pontos de Wi-Fi na periferia da capital paulista. A produtora e a prefeitura negam irregularidades no contrato.
O contrato de locação previa 46 dias de uso do hospital, entre 24 de setembro e 2 de dezembro de 2025. A Go Up pagou R$ 1 mil por dia de pré-produção, preparação das filmagens e desmontagem, além de R$ 2,8 mil por diária nos 26 dias de gravação.
O acordo autorizou a produtora a usar dependências do hospital para montagem de equipamentos, ensaios, maquiagem e figurino. Também concedeu à Go Up, de forma “irrevogável e perpétua”, licença e cessão de direitos de imagem, autorais e de design relacionados ao imóvel e ao mobiliário captados nas filmagens.
Entre as adaptações previstas, a produção transformou um andar do hospital em hotel cenográfico, com instalação de carpetes, pinturas e remoção de corrimãos. A recepção recebeu sinalização e móveis extras para simular a entrada da Santa Casa de Juiz de Fora, onde Bolsonaro recebeu atendimento após a facada; a equipe também gravou em áreas de UTI, posto de enfermagem e salas de espera.