A Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, completa um ano sob administração privada em junho de 2024. O terminal, que recebe cerca de 700 mil pessoas diariamente, é alvo de avaliações contrastantes entre o governo e movimentos sociais.
A Concessionária Catedral assumiu a operação com a promessa de revitalizar a infraestrutura, enquanto a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) atua como fiscalizadora. Segundo pesquisa do Instituto Opinião, realizada entre 26 de janeiro e 5 de fevereiro, a aprovação dos passageiros subiu de 45,6% para 86,1% após melhorias como a modernização de 12 escadas rolantes e elevadores, além da recuperação de pilares e instalação de um centro de monitoramento.

No entanto, Paique Santarém, do Movimento Passe Livre (MPL), critica o que chama de “espoliação do espaço público”. Ele afirma que estacionamentos ao redor foram travados para lucro privado e que eventos culturais foram banidos. “A lógica comercial se sobrepôs à função social do espaço”, disse.
O deputado distrital Max Maciel (Psol-DF), presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana, relata denúncias de assédio por seguranças contra trabalhadores e cidadãos. “Recebemos vídeos de entregadores do iFood sendo questionados e pessoas abordadas por estarem com sacolas, sob suspeita de serem ambulantes”, afirmou. Para ele, a rodoviária deixou de ser um espaço de livre circulação.

Santarém também aponta o esvaziamento de feirantes e o fechamento de lojas. A militarização do ambiente, com aumento de seguranças armados, é citada como fator de repressão a populações vulneráveis.
Outra preocupação é a “taxa de acostagem”, cobrada das empresas de ônibus pelo uso das plataformas. Max Maciel alerta que o custo pode ser repassado ao passageiro, onerando o transporte público. A comissão planeja uma visita técnica para verificar o cumprimento das metas contratuais.

A Semob-DF afirma que a fiscalização é rigorosa e que o terminal integra serviços como o novo terminal do BRT e salas de acolhimento para pessoas com autismo. A ouvidoria da concessionária está disponível pelo e-mail [email protected].
Com informações de Brasil de Fato — leia a matéria original.