O governo espanhol enfrenta crescente pressão para antecipar as eleições gerais, após duas semanas marcadas por investigações judiciais que atingem o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), integrante da coalizão governista. A oposição e até partidos aliados pedem a antecipação do pleito, mas o presidente Pedro Sánchez reafirma que cumprirá a legislatura até o verão de 2027.

Indiciamento de Zapatero

A Audiência Nacional da Espanha indiciou o ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero por supostos crimes de tráfico de influência e lavagem de dinheiro, relacionados ao resgate de US$ 61,75 milhões concedido em 2021 à companhia aérea Plus Ultra durante a pandemia de covid-19. Zapatero tornou-se o primeiro ex-chefe de governo da democracia espanhola a ser investigado pela Justiça. Em vídeo, ele defendeu sua inocência, afirmando que sua atividade pública e privada sempre respeitou a legalidade e que não realizou gestões para favorecer o resgate.

Busca na sede do PSOE

Em 27 de maio, agentes da Guardia Civil, por meio da Unidade Central Operativa (UCO), compareceram à sede do PSOE para solicitar documentos e arquivos eletrônicos relacionados a outra investigação. O juiz Santiago Pedraz apura a existência de uma rede destinada a desestabilizar processos judiciais que afetariam pessoas ligadas ao partido, da qual fariam parte ex-membros da legenda e outros envolvidos.

Reações políticas

Na oposição, o Partido Popular e o Vox consideram as investigações um escândalo e exigem eleições antecipadas. A desconfiança também atinge partidos que apoiaram a posse de Sánchez em novembro de 2023: o Partido Nacionalista Vasco e a Coalición Canaria acreditam que os acontecimentos enfraquecem a credibilidade do governo e defendem novas eleições. Dentro do próprio PSOE, o ex-presidente Felipe González e o presidente de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, também defenderam a realização de eleições gerais ainda este ano.

Posição de Sánchez

O presidente Pedro Sánchez descartou a antecipação, afirmando que a estabilidade é fundamental para enfrentar crises globais. Em Roma, onde se encontrou com o papa Leão XIV, disse que “descartar a antecipação das eleições é fundamental para manter a estabilidade no desenvolvimento da agenda política do Executivo”. Sobre Zapatero, enviou “todo o seu apoio” e pediu respeito à presunção de inocência. Quanto à investigação sobre a suposta rede, garantiu que seu partido “não tem nada a esconder”.

Com informações de CNN Brasil.