O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou neste domingo (14) que Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo de paz para encerrar o conflito de quase quatro meses e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o comércio global de petróleo e gás natural. O anúncio foi posteriormente confirmado pelo presidente americano, Donald Trump, e por autoridades iranianas.

Anúncio e confirmações

Sharif afirmou, por meio de publicação na rede social X, que, após negociações intensas, as duas partes declararam o fim “imediato e permanente” das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. O Paquistão atuou como mediador nas tratativas entre Washington e Teerã.

Trump também se manifestou nas redes sociais, escrevendo que o entendimento com o Irã “está agora concluído”. O presidente americano declarou: “Autorizo plenamente a abertura sem cobrança do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos”.

Do lado iraniano, o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, confirmou o acordo em entrevista à TV estatal iraniana e informou que o texto do memorando de entendimento será divulgado após a assinatura formal. A mídia estatal iraniana noticiou o acordo, retratando o desfecho como uma capitulação dos Estados Unidos.

Termos preliminares

Embora os detalhes finais não tenham sido publicados, contornos gerais circulavam nos últimos dias, segundo Bloomberg e CNBC. Pelo entendimento preliminar, as partes devem encerrar os bloqueios concorrentes no Estreito de Ormuz, interromper ataques mútuos e iniciar nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano. O acordo também prevê algum alívio nas sanções que atingem as exportações de petróleo do Irã.

A mídia estatal iraniana informou na sexta-feira que um rascunho de memorando de 14 páginas estava em discussão. O documento incluiria o levantamento de sanções petrolíferas dos EUA e o compromisso iraniano de reabrir o Estreito de Ormuz em até 30 dias.

Também estão em discussão incentivos econômicos a Teerã. Segundo um alto funcionário dos EUA citado pela Bloomberg, as partes avaliavam um modelo em que o Irã receberia recompensas econômicas à medida que cumprisse determinações americanas. O Irã, por sua vez, busca acesso a bilhões de dólares em recursos congelados no exterior e alívio mais duradouro das sanções.

A cerimônia oficial de assinatura está marcada para sexta-feira, 19 de junho, na Suíça, conforme anunciou Sharif.

Impacto econômico e geopolítico

O Estreito de Ormuz permanece efetivamente fechado desde o início do conflito, no fim de fevereiro. A passagem é considerada uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde normalmente passa cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito. O bloqueio pressionou cadeias de suprimento e contribuiu para a alta dos preços de energia, reacendendo temores de estagflação.

Nos Estados Unidos, a inflação anual chegou a 4,2% em maio, o maior nível em três anos, segundo a CNBC. Na Europa, o Banco Central Europeu elevou os juros pela primeira vez desde 2023, em resposta às pressões inflacionárias ligadas ao choque energético.

Incertezas e desafios

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou à Fox News que o acordo representa “algo grandioso para o povo americano” e que a reabertura de Ormuz deve ajudar a reduzir o custo da energia. No entanto, a implementação enfrenta incertezas, especialmente em relação à posição de Israel. O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já havia colocado em risco uma assinatura ao realizar novos ataques no Líbano neste domingo, com bombardeios em Beirute. Trump pediu moderação e alertou Irã e Hezbollah para não contra-atacarem.

Nos Estados Unidos, o acordo pode enfrentar resistência de setores mais duros em relação ao Irã, que temem que temas como o programa nuclear e o desenvolvimento de mísseis balísticos fiquem em segundo plano. Esses pontos estiveram no centro das justificativas americanas para o início do conflito.

Apesar das incertezas, o anúncio reduz, ao menos no curto prazo, o risco de retomada imediata da guerra e alivia parte da pressão sobre os mercados globais de energia. Resta saber se a assinatura formal e as negociações seguintes serão suficientes para transformar o cessar-fogo em um arranjo mais duradouro.