A 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras do Banco Master, teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo Lula no Senado. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços do parlamentar em Brasília e na Bahia, apreendendo cerca de 55 mil dólares (R$ 284,1 mil) e 33 mil euros (R$ 196,3 mil). A investigação aponta ainda que a família de Wagner teria recebido um apartamento avaliado em mais de R$ 2,4 milhões de Daniel Vorcaro.

Em nota, Jaques Wagner afirmou que o dinheiro apreendido é “fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais” e que acompanha com “tranquilidade o andamento das investigações”. O senador negou ser réu, ter sido denunciado ou acusado no caso, e disse que o apartamento jamais integrou seu patrimônio.

Reações dos pré-candidatos

Flávio Bolsonaro (PL)

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, declarou durante evento em São Paulo que “o PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal” em função da operação contra Jaques Wagner. Ele afirmou: “É um péssimo dia para o PCC, para o CV e também para o PT.” Nas redes sociais, defendeu a criação de uma CPMI do Banco Master.

Ronaldo Caiado (PSD)

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que os brasileiros chegaram a um ponto de “indignação completa”. Disse não ter se surpreendido com a notícia e elogiou o ministro André Mendonça, do STF, pela decisão que autorizou a operação. Segundo Caiado, foi “um momento importante para que todos nós pudéssemos ter ali um momento de elogios ao ministro André, que realmente teve a coragem de poder fazer com que todos aqueles que estão envolvidos, realmente os casos venham à tona.”

Romeu Zema (Novo)

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, disse que a notícia não o surpreende. Em vídeo, afirmou: “O escândalo do Banco Master não começou lá em Brasília. Começou sim, na Bahia, como eu venho sempre falando. O PT da Bahia não é vítima do caso Master, é, sim, cúmplice.” Zema lembrou que Jaques Wagner é a “voz do presidente dentro do Senado”.

Renan Santos (Missão)

O pré-candidato pelo partido Missão comparou o caso ao mensalão: “Está parecendo o mensalão, quando foi caindo todo mundo em volta do Lula na época. Não vai restar nada e o Lula, como farsa vai cair.” Ele citou as suspeitas sobre o apartamento e os valores apreendidos.

Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto.

Defesa de Jaques Wagner

“O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas. Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira. Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá.”