O Paquistão afirmou que um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, com mediação paquistanesa, está próximo de ser assinado. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif declarou neste sábado, 13, que as negociações avançaram e que um entendimento pode ser concluído nas próximas 24 horas. Segundo ele, o Paquistão já se prepara para a assinatura eletrônica do documento e para uma rodada de negociações técnicas prevista para a próxima semana.
Declarações oficiais e reações
Apesar do otimismo manifestado por Sharif, a Casa Branca não respondeu a questionamentos sobre o estágio das negociações ou sobre uma possível data para a assinatura. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que nenhuma assinatura ocorrerá neste domingo, 14, mas não descartou a possibilidade nos próximos dias. As declarações ocorrem após uma série de anúncios semelhantes que não se concretizaram.

O presidente dos EUA, Joe Biden, não se manifestou publicamente sobre o tema. O Irã, por meio de seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, reiterou que o programa nuclear será discutido nos 60 dias seguintes à assinatura de um acordo inicial, com possibilidade de prorrogação do prazo.
Contexto do conflito
A guerra entre Irã e Estados Unidos, apoiada por Israel, teve início em 28 de fevereiro. Um cessar-fogo está em vigor desde 7 de abril, mas permanece frágil. Na semana anterior às declarações, ocorreram confrontos entre as partes, elevando o temor de escalada regional e ampliando os impactos econômicos. Na sexta-feira, 12, o Comando Central dos Estados Unidos informou ter interceptado drones iranianos que teriam como alvo embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.

Programa nuclear iraniano
Um dos pontos centrais das negociações envolve o programa nuclear do Irã. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que os detalhes serão definidos nos 60 dias subsequentes à assinatura de um acordo inicial, com possibilidade de prorrogação. Os Estados Unidos e Israel sustentam que o programa pode abrir caminho para o desenvolvimento de armas atômicas. Teerã, por sua vez, afirma que suas atividades nucleares têm fins exclusivamente pacíficos.
Um alto funcionário do governo americano, que falou sob condição de anonimato, afirmou que o acordo em negociação prevê o início do processo de destruição ou remoção do urânio altamente enriquecido mantido pelo Irã. O período de 60 dias seria usado para definir os detalhes técnicos da operação. O funcionário não informou quem seria responsável pela retirada do material, que, segundo projeções, está armazenado em instalações nucleares atingidas por ataques americanos no ano passado.

Reabertura do Estreito de Ormuz
Outro ponto central é a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o abastecimento global de energia. Segundo o funcionário americano, o texto em negociação inclui medidas para restabelecer o tráfego na região. Araghchi afirmou que o Irã pretende manter a cobrança de taxas sobre embarcações que utilizem a rota. Durante a guerra, Teerã adotou um sistema de pedágio criticado pelos Estados Unidos e por outros países, sob alegação de violação do direito internacional.
A interrupção do tráfego no estreito afetou o abastecimento global de petróleo e gás natural, pressionando os preços dos combustíveis e encarecendo alimentos, fertilizantes e outros produtos em diferentes regiões do mundo.
Sanções e ativos congelados
Segundo três autoridades regionais ouvidas pela Associated Press sob condição de anonimato, o acordo também deverá prever a retirada gradual das sanções impostas ao Irã e a liberação de ativos iranianos congelados. As fontes afirmaram esperar que a assinatura ocorra nos próximos dias, após a aprovação final das autoridades em Washington e Teerã.
Impasse sobre o Líbano
Um dos pontos ainda sem definição envolve o Líbano. O Irã defende que qualquer acordo inclua um cessar-fogo no país, onde Israel mantém confrontos com o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã. Na sexta-feira, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o país poderá continuar agindo de forma independente em relação ao Irã e que não pretende retirar suas forças das áreas que ocupa no Líbano, na Síria e em Gaza, nem dos campos de refugiados no norte da Cisjordânia. Os confrontos no sul do Líbano continuaram neste sábado.