O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem duas reuniões em Brasília nesta quarta-feira, 26, que devem ser decisivas para suas pretensões políticas de outubro, quando tentará a reeleição para um quarto e último mandato.
O primeiro encontro será com o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e que foi alvo de uma investigação da Polícia Federal na semana passada. Ele é suspeito de ter recebido propina de pessoas ligadas ao Banco Master para, em troca, dar vantagens parlamentares à instituição.
Na reunião, eles vão discutir a permanência ou não de Wagner na liderança do governo, avaliando os impactos eleitorais que os dois desfechos — a saída ou a permanência — podem ter sobre as campanhas de disputa pelo governo federal e pelos cargos eletivos da Bahia neste ano.
Nos bastidores, fala-se que Lula estaria constrangido de retirar seu aliado da função, visto que são muito amigos há mais de 30 anos, mantendo uma relação de muita parceria e confiança. Por isso, o próprio Wagner deve sugerir a sua retirada — como apontam diversos petistas.
O destino de Wagner pode ser decisivo para o governo tentar estancar uma eventual sangria eleitoral, uma vez que a oposição está usando o caso do senador para fustigar Lula e o governo e tirar o foco das acusações envolvendo o presidenciável da oposição, Flávio Bolsonaro (PL), também envolvido em suspeitas relativas ao Master.
Continua após a publicidadeJá a segunda reunião, marcada para 17h, será com os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) e do Empreendedorismo Márcio França (PSB-SP) e terá como objetivo definir os caminhos para a eleição do estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país e que, por consequência, deve ter grande impacto sobre a própria candidatura de Lula à reeleição.
Com dificuldades eleitorais frente ao atual governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que aparece nas pesquisas com chances de vitória no primeiro turno, a chapa lulista vem se arrastando com indefinições de posições há meses. Debatia-se até a semana passada que França ocupasse o espaço de vice na candidatura de Haddad, no entanto, com a saída de dois concorrentes da disputa, o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) e o advogado Paulo Serra (PSDB-SP), uma nova possibilidade foi colocada no radar, a de Márcio França também ser candidato, objetivando aumentar as chances de um segundo turno.
Analistas avaliam que um segundo turno em São Paulo é muito importante para Lula, de forma a evitar que ele fique sem campanha no maior estado do país em caso de segundo turno eleitoral para a Presidência contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Os dois encontros foram marcados relativamente de última hora, aproveitando o espaço vazio na agenda oficial do chefe do Executivo no dia de hoje. Ambos foram marcados para a tarde, de forma a serem finalizados antes do jogo do Brasil na Copa do Mundo, agendado para ocorrer às 19h.
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